Arruda permanece calado durante depoimento à Polícia Federal

Claudia Andrade, Portal Terra

BRASÍLIA - O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) permaneceu calado durante o depoimento prestado nesta segunda-feira à Polícia Federal. O advogado Nélio Machado, que faz a defesa do ex-governador, afirmou que seu cliente falará "de forma plena, na medida em que eu tenha acesso irrestrito à apuração feita até agora".

O advogado disse que Arruda ainda começou a falar alguma coisa, e teria deixado clara sua vontade de falar. "Mas eu reiterei minha orientação firme e sem transigência no sentido de que eu não abro mão da legalidade", disse.

Nélio Machado afirmou que ainda não teve acesso nem aos vídeos nem a perícias nem aos autos da investigação. "Meu cliente vai falar quando a investigação se fizer com o propósito não de pré-julgá-lo, mas de buscar a responsabilidade de quem possa efetivamente ter culpa", disse o advogado.

Os advogados de Arruda chegaram por volta das 13h50 para acompanhar o depoimento na sede da Superintendência da Polícia Federal.

Na última sexta-feira, o advogado Nélio Machado afirmou que Arruda não iria ficar calado. Ele é ouvido na PF sobre a acusação de subornar uma testemunha durante investigações da operação Caixa de Pandora.

Entenda o caso

O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.