Forum Internacional de Sustentabilidade acaba em Manaus

Leandro Mazzini, Jornal do Brasil

MANAUS - O primeiro Fórum Internacional de Sustentabilidade, promovido em Manaus neste fim de semana, fez estrelas internacionais de segmentos diversos trocarem o tapete vermelho pelo verde, mas sem surpresas. Os palestrantes levantaram dúvidas, mostraram diagnósticos, fizeram previsões catastróficas a prevalecer o cenário atual de desenvolvimento e apontaram soluções genéricas. Apesar do futuro incerto, prevaleceu entre os presentes a certeza de que o encontro foi uma iniciativa necessária - e a primeira de muitas. Dali saiu a Carta da Amazônia, com compromissos sócio-ambientais.

Organizado pela empresa brasileira Seminars e o governo do Amazonas, no encontro desfilaram nomes notórios do empresariado nacional e internacional, ambientalistas brasileiros e cientistas como Mark London, Thomas Lovejoy - que estuda a região amazônica há nada menos que 40 anos - Jean-Michel Cousteau, filho de Jacques, o ex-vice presidente Al Gore, que roda o mundo debatendo mudanças climáticas, e o cineasta (e ecologista voluntário) James Cameron.

Os temas do encontro mesclaram progresso com desenvolvimento sustentável, como agregar valor à vida do povo da floresta sem desmatamento e outros assuntos. Se houve mais dúvidas e previsões que diagnósticos certeiros para soluções, o encontro serviu, lembraram todos, para reforçar o debate de que haverá mudança com muita conscientização, frisaram Gore e Cameron, e que ela não acontece da noite para o dia, lembrou o publicitário Nizan Guanaes.

Thomas Lovejoy, pragmático, apresentou uma síntese da história da Amazônia, e numa linha cronológica evidenciou como a ocupação desordenada da floresta, em várias frentes, e principalmente pelas estradas abertas há 40 anos, mudaram o perfil da região. Apontou alternativas, se não para interromper, pelo menos frear esse front. Lembrou que a região é mal aproveitada justamente naquilo que tem de melhor: as águas.

Ciente dos dados de Lovejoy, de quem é amigo, e de saída do governo para candidatar-se ao Senado, o governador Eduardo Braga (PMDB) aproveitou o evento para fazer um balanço de sua gestão. Enumerou no telão os programas, entre eles o Bolsa Floresta, concedido pelo governo aos moradores de área de proteção. Ganham R$ 600 por ano para preservar a terra e não desmatar, vivendo de agricultura de subsistência.

Se quisermos proteger o meio ambiente é preciso que as populações tenham adesão aos nossos programas. Temos que fazer com que os moradores da floresta tenham um ganho a partir dela, sem destruí-la disse Braga.

E criticou quem fala sobre a Amazônia sem conhecê-la.

O Amazonas não pode ser visto como problema, mas como ativo brasileiro. A (geração de) energia é muito criticada por não conhecerem boas hidrelétricas. Elas alagam uma área pequena comparada à geração de energia. Hidrelétrica é energia limpa, não gera efeitos para gases COs.

Além da Carta da Amazônia, o encontro rendeu negócios. Os grupos Pão de Açúcar e Walmart Brasil fecharam parcerias para compra de pescado de comunidades da região.