Promotor não deixou pedra sobre pedra, diz Glória Perez

Portal Terra

SÃO PAULO - A autora de novelas Glória Perez, que acompanha o julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá pela morte de Isabella Nardoni no Fórum de Santana, zona norte de São Paulo, comentou a argumentação do promotor Francisco Cembranelli nesta sexta-feira em sua página no Twitter. "Cembranelli não deixou pedra sobre pedra", escreveu Glória Perez.

Ela registrou ainda que o promotor confrontou a versão dos réus com os horários dos acontecimentos e chegou à conclusão de que o casal estava no apartamento no momento do crime. Segundo a autora, Cembranelli ainda mostrou "registros de telefonemas da Jatobá, do telefone fixo e do celular: nenhum para o resgate".

Glória Perez afirmou também que o promotor expôs provas da esganadura e da asfixia, "mostrando as marcas no pescoço de Isabella". Ela ainda citou uma breve discussão de Cembranelli e o advogado de defesa, Roberto Podval. "Defesa pergunta: como o senhor sabe que foi ela? Promotor: então foi ele! Só eles dois estavam lá! Defesa cala", escreveu.

Após a fala do promotor, a defesa, comandada pelo advogado Roberto Podval, tem as mesmas duas horas e meia para sua argumentação. Depois de um intervalo de 30 minutos começam as réplicas de no máximo duas horas, com uma nova pausa de 30 minutos entre a acusação e a defesa.

Depois, está previsto um intervalo de uma hora para o jantar. Logo após, o Conselho de Sentença (formado pelos sete jurados) se reunirá na Sala Secreta com o magistrado, promotor e advogados por mais uma hora para a votação dos quesitos. A sentença será elaborada em uma hora.

O caso

Isabella tinha 5 anos quando foi encontrada ferida no jardim do prédio onde moravam o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico. O pai e a madrasta foram os únicos indiciados, mas sempre negaram as acusações e alegam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que invadiu o apartamento.

O júri popular do casal começou em 22 de março e deve durar cinco dias. Pelo crime de homicídio, a pena é de no mínimo 12 anos de prisão, mas a sentença pode passar dos 20 anos com as qualificadoras de homicídio por meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e tentativa de encobrir um crime com outro. Por ter cometido o homicídio contra a própria filha, Alexandre Nardoni pode ter pena superior à de Anna Carolina, caso os dois sejam condenados.