Especialistas explicam popularidade e circo sobre caso Isabella

Fabiano Rampazzo, JB Online

SÃO PAULO - Em cinco dias, o julgamento do caso Isabella atraiu centenas de curiosos para a porta do Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, mobilizou 61 veículos de imprensa, ocupou a manchete de sites, jornais e revistas e ganhou espaço em todos os noticiários de rádios e TVs. Para entender esse "fenômeno", o Terra ouviu dois psicanalistas que apontaram os principais ingredientes deste circo montado em torno do júri de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.

"A explicação disso é bastante objetiva. Primeiro, a ocorrência de um fato inusitado. Não é todo dia que uma criança é atirada de uma janela de um prédio. Somam-se a isso a figura do pai e da madrasta acusados do crime, a mãe biológica e o ciúme. Tudo isso dá um tempero a mais, o que aumenta a curiosidade que cada um de nós tem sobre o caso", disse o psiquiatra forense Guido Palomba.

Palomba explica que o fato de os réus não terem confessado o crime dá ainda um "sabor" extra à história. "Isso fomenta o debate público dentro das casas, nos bares e nas esquinas. Sem falar do papel da mídia nisso tudo, esta ampla cobertura só fez a bola de neve crescer", afirmou.

Para o também psicanalista Jorge Forbes, presidente do Instituto da Psicanálise Lacaniana e Diretor da Clínica de psicanálise do Centro do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP), um crime como a morte de Isabella atinge diretamente a sociedade civil. "Trata-se da relação entre um pai e uma filha e do não respeito à vida. Há o registro de uma família feliz no supermercado e, no instante seguinte, a menina está morta. É um crime que lesa a todos nós", disse.

Forbes analisa o fato de o casal ter entrado praticamente condenado pelo público no primeiro dia de julgamento. "Todo e qualquer crime afeta a sociedade como um todo, e o casal condenado traz uma espécie de conforto psicológico às pessoas", afirmou.