Al Gore diz que Brasil já tem voz no debate sobre mudança climática

Leandro Mazzini, Jornal do Brasil

MANAUS - Com pose de estadista e numa palestra de uma hora, Al Gore, Prêmio Nobel da Paz e uma das maiores referências no mundo sobre o debate do meio ambiente e clima, disse sexta-feira que o Brasil já tem voz de poder para liderar os países no debate sobre o desenvolvimento sustentável e preservação da natureza. Ele foi a estrela do primeiro dia do Fórum Internacional de Sustentabilidade, realizado em Manaus (AM). Embora reconheça o esforço empresarial e de entidades civis, Al Gore derreteu-se em elogios ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Por causa das coisas que estão acontecendo na Amazônia, o presidente Lula recebeu um poder de falar ao mundo disse. Em um discurso elogioso ao Brasil e às iniciativas regionais na floresta e nacionais de preservação e contra o desmatamento, o norte-americano frisou que a floresta amazônica é um tesouro imenso que pertence ao Brasil e será a salvaguarda para o futuro do país. Indicou, ainda, que a região pode ser o centro das atenções do mundo nos próximos anos. Porém, moderadamente, alertou para mais esforços nos campos sócio-político e econômico:

A redução do desmatamento é uma das grandes soluções, mas essa é uma tarefa que não se completou ainda lembrou, ao passo que conclamou todos a pensarem no futuro e não no presente. Se fizermos as coisas certas (para o meio ambiente) e gerações futuras, as pessoas não vão sofrer.

Ao falar de sustentabilidade, Al Gore mesclou, inevitavelmente, o cenário da preservação com o do progresso. Elogiou a política de implementação do biocombustível no país, que começou há 35 anos, segundo ele, e não teve interrupções como nos Estados Unidos. Segundo Al Gore, isso faz do Brasil líder do setor.

A biodiversidade contida na Amazônia é ímpar no planeta, e só agora está sendo reconhecida pela indústria argumentou, para em seguida incitar a plateia a pensar como agregar valor à floresta. Vender a floresta pelo valor da madeira é como vender o chip pelo valor do silício. O valor real está além.

Dentre as muitas dúvidas que Al Gore levantou sobre o que se espera do planeta, a metáfora antecedeu a única fórmula e genérica que apresentou de solução para o futuro progressista que se prevê para a região:

Quando falamos sobre a Amazônia, é importante falar de pessoas, biodiversidade e qualidade de vida.

Nesse cenário, Al Gore mostrou-se conhecedor a fundo da floresta esteve no Amazonas há 20 anos e deixou alerta:

A riqueza está nas águas e não no solo. Não é atraente a utilização do solo para agricultura de subsistência. A alternativa para protegermos a Amazônia é a valorizarmos.

Em meio ao cenário de indefinições e diagnósticos catastróficos para o planeta Gore falou de descongelamento total da calota de gelo polar, tufões e mudanças climáticas drásticas o conferencista admitiu-se otimista sobre o trabalho de conscientização atual.

Começamos a ver a emergência de uma nova geração preocupada com responsabilidades disse, citando até o controle de natalidade consolidado em vários países como um fator positivo.

Al Gore lamentou ainda os desacordos de Copenhague e conclamou o mundo a fazer um grande acordo pelo meio ambiente. Mais uma vez, lembrou o papel de protagonista do Brasil:

Os cientistas dizem que o momento de agir é agora, e o Brasil já está agindo. Mas o que tem sido feito até agora está longe do ideal.

Governador descarta possibilidade de fracasso

Empresários, cientistas, ambientalistas, artistas e políticos deram início sexta-feira em Manaus a iniciativa que busca apresentar ações que permitam a preservação e o desenvolvimento econômico da região amazônica. É o Fórum Internacional de Sustentabilidade. Responsável pela organização dos debates, o governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), afirmou que o fórum é o local adequado para que todos apresentem seus pontos de vistas e sugestões. Segundo ele, as divergências que separam ambientalistas e financistas surgirão, mas não ofuscarão as discussões.

Todos têm consciência de que só há um meio para a sustentabilidade da Amazônia: os recursos privados. Não tem outro. O apoio das instituições públicas é grande, mas insuficiente, então temos de encontrar uma forma de viabilizar este processo disse o governador. Braga descartou, também, que o evento enfrente uma decepção semelhante a que dominou a Conferência sobre Mudanças Climáticas de Copenhague, na Dinamarca, realizada no ano passado. Segundo ele, o fórum de Manaus está sendo realizado em outro momento econômico e político. No ano passado, os países mais ricos viviam ainda a aura da crise financeira internacional. Agora, o momento é de recuperação econômica. Os Estados Unidos reagem à crise e animam os outros países.

O governador também apontou como fundamental a participação do ex-vice-presidente dos Estados Unidos e Prêmio Nobel da Paz de 2007, Al Gore. Segundo Braga, Al Gore pode ser um interlocutor de peso em favor da Amazônia.

O ex-vice-presidente é respeitado internamente e externamente no cenário político. Ele sabe e conhece a importância dos temas ambientais. Estou confiante de que vamos poder contar com o apoio do Al Gore comemorou.

O governador Braga é autor da primeira Lei de Mudanças Climáticas e Conservação Ambiental do país. Também é o coordenador nacional do programa socioambiental do PMDB e responsável pela criação do Programa Bolsa Floresta. A iniciativa determina uma recompensa financeira por parte do estado do Amazonas aos moradores de unidades de Conservação estaduais (UCE). O governador também criou a Fundação Amazonas Sustentável que deve funcionar como base para discussões políticas sobre as mudanças climáticas.

Cinema

Braga também adiantou que pretende convencer o diretor James Cameron, do filme Avatar que ganhou o Oscar de melhor fotografia este ano a filmar a sequência do filme na região. Segundo o governador, as negociações estão avançando. Ele se disse confiante na possibilidade de convencer o diretor depois de mostrar as belezas da região.

O James Cameron disse, em algumas entrevistas, que pretende filmar na Amazônia venezuelana. Se é assim por que ele não vem para a nossa? Estou negociando, conversando e vou falar até com o Al Gore. De repente, Avatar 2 pode ser rodado no Brasil.

O filme Avatar, de temática ambientalista, foi fenômeno de bilheteria no Brasil e no exterior.