Pai de Alexandre é debochado, diz mineiro que esteve na plateia

Fabiano Rampazzo, Portal Terra

SÃO PAULO - Convidado para assistir ao julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá após protestar em frente ao Fórum de Santana, na região norte da capital paulista, o empresário André Luiz dos Santos, 49 anos, afirmou que o pai do réu, o advogado Antônio Nardoni, é "debochado". Segundo o mineiro, o avó paterno de Isabella "ri de tudo".

"Qualquer coisa que a promotoria falava, ele dava risada. Achei ele um debochado", disse Santos. Ele, que viajou de Ponte Nova, a cerca de 800 km de São Paulo, acompanhou parte da sessão na manhã desta terça-feira, enquanto a delegada Renata Pontes prestava depoimento. Antes de entrar no Plenário, fez um protesto em frente ao fórum, com uma cruz nas costas.

Diante do apoio do empresário à família de Isabella, os pais de Ana Carolina de Oliveira o parabenizaram e o convidaram para ir até a casa deles. "Eles inclusive se dispuseram a auxiliar no pagamento das minhas despesas, como hotel e refeições, mas não aceitei. O maior pagamento é o reconhecimento da parte deles", afirmou.

O mineiro está hospedado em uma pensão próxima à estação rodoviária Tietê. Conforme ele, muitos anônimos solidários à família de Isabella o oferecem auxílio, com a doação de alimentos. "Na segunda-feira, uma pessoa que eu não conhecia me pagou um táxi até a pensão", disse.

O segundo dia do julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados de matar a menina Isabella Nardoni em 2008, recomeçou às 10h05 desta terça-feira, com mais de uma hora de atraso. O atraso foi causado pela montagem de duas maquetes do edifício London, local da morte de Isabella, e pelo ajuste no som do Fórum de Santana, um dia depois de reclamações durante o depoimento de Ana Carolina Oliveira, mãe da vítima, na segunda-feira.

Testemunha compartilhada entre defesa e acusação, a delegada Renata Pontes foi a primeira a ser ouvida nesta terça-feira. Em seu depoimento de cerca de 4 horas, ela descartou a presença de uma terceira pessoa na cena do crime e disse ter 100% de certeza da culpa do casal Nardoni. A delegada disse que pelo menos três denúncias anônimas sobre a participação de um terceiro foram investigadas quando Alexandre e Anna Carolina já estavam presos. No entanto, todas se revelaram trotes.

No relato, acompanhado pelo casal Nardoni, Renata confirmou informações divulgadas na época do inquérito, como a presença de sangue na entrada do apartamento e carro da família, principalmente na parte traseira, onde a vítima costumava se sentar.

O caso

O julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá começou em 22 de março e deve durar cinco dias. O júri popular ouve 23 testemunhas - 17 convocadas pela equipe de defesa do casal Nardoni, três compartilhadas entre os advogados e o Ministério Público e três da assistente de acusação.

Isabella tinha 5 anos quando foi encontrada ferida no jardim do prédio onde moravam o pai e a madrasta, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico. O pai e a madrasta foram os únicos indiciados, mas sempre negaram as acusações e alegam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que invadiu o apartamento.