Governistas tentam 'desconvocar' tesoureiro do PT em CPI

Portal Terra

BRASÍLIA - Após terem sido surpreendidos com a aprovação da convocação do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, para prestar depoimento sobre denúncias de pagamento de propina e desvios de dinheiro da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), senadores governistas decidiram adotar a estratégia de tentar derrubar a ata da sessão que garantiu a oitiva e, com isso, "desconvocar" o dirigente petista.

O tesoureiro do PT teria sua oitiva feita na manhã desta terça-feira, mas pediu para a data ser remarcada porque seu advogado, Pedro Dallari, está em viagem fora do país.

A CPI das ONGs do Senado Federal aprovou na última quinta-feira a convocação de Vaccari, que, de acordo com suspeitas, quando era responsável em 2003 pelas finanças da Bancoop, administrava de forma informal a cobrança de propina a fundos de pensão das empresas estatais, bancos e corretoras. Os recursos seriam usados para abastecer o esquema do mensalão.

- Se não aprovarmos a ata, cai o requerimento de convocação. A base do governo vai tentar fazer com que a CPI das ONGs investigue o que é ligado a organizações não-governamentais. Qualquer outro embate não é pertinente à CPI - afirmou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

Na avaliação do parlamentar, a aprovação do depoimento do tesoureiro com o apoio da oposição tem por objetivo acirrar a disputa eleitoral no Congresso, antecipando as eleições de outubro.

- Meu cuidado tem sido equilibrar os trabalhos do Senado para ele não descambar em disputa eleitoral - disse.

Na última semana, a CPI das ONGs também aprovou convite para os depoimentos do corretor Lúcio Funaro, do técnico em edificações Hélio Malheiro e do promotor de Justiça de São Paulo José Carlos Blat.

Responsável pelas investigações do escândalo da Bancoop, Blat afirma que João Vaccari Neto teria desviado R$ 100 milhões da cooperativa para o caixa dois do PT no esquema do mensalão.

Hélio Malheiro, por sua vez, é irmão de Luís Eduardo Malheiro, ex-presidente da Bancoop, e que teria ouvido do dirigente que se viu obrigado a entregar grandes somas de dinheiro, desviadas da construção de apartamentos, para arcar com despesas de campanhas eleitorais petistas.

Também denunciante do caso, o corretor Lúcio Funaro disse em depoimento na Procuradoria-Geral da República que havia a cobrança de propina a fundos de pensão das empresas estatais, bancos e corretoras e que os recursos seriam usados para abastecer o esquema do mensalão.