Bissexualidade está na moda no BBB, em "Viver a Vida" e perto de você

Juliana Brum, Portal Terra

DA REDAÇÃO - Os tempos são outros, e os desejos (e necessidades) também. Basta ver o clima de romance que surpreendeu os moradores da casa mais vigiada do Brasil: o Big Brother Brasil 10, da TV Globo. Até domingo, e quem sabe fora dali, o "casal" do momento, ou melhor, a dupla que havia trocado olhares apaixonados com mais intensidade, reúne um homossexual assumido, Serginho, e uma heterossexual, Fernanda. Serginho acabou de sair da casa, mas já declarou no chat do programa, ao sair do paredão, no domingo, que Fernanda mexeu com ele.

Na ficção, a situação se repete na novela "Viver a Vida", da mesma emissora. O personagem Osmar, do ator Marcelo Valle, é homossexual e vai se assumir bissexual por causa de Alice (Maria Luisa Mendonça).

O interesse por homens e mulheres, sem distinção de orientação, também ultrapassa as telas, e a bissexualidade começa a fazer parte da vida de gente famosa, como a namorada do ator Caco Ciocler, a atriz Marina Previato, que há pouco tempo declarou gostar também de mulheres.

Outra celebridade que assumiu a bissexualidade foi atriz americana Lindsay Lohan. Sem falar de "anônimos", como o ator Bruno Chavezz, 24 anos, e a estudante Gabriela Silva, 20 anos. Eles vivem a experiência e não têm medo de assumirem sua opção sexual. Os dois se abriram para o Terra.

Ao completar a maioridade, Chavezz percebeu que sentia algo diferente dos outros meninos da sua idade. "No início, tive certo preconceito comigo mesmo, mas aconteceu e não foi algo programado. Eu sinto atração por homens e mulheres. Fico com os dois, sem uma preferência, depende do caso e do humor no dia", disse.

A homossexualidade ainda é um assunto delicado, um tema que causa muitas vezes inibição, e reserva, ao ser debatido. A bissexualidade é assunto ainda mais controvertido e nem todo mundo tem coragem de assumir.

As mulheres também têm assumido a bissexualidade. A estudante Gabriela Silva não tem medo de declarar sua opção sexual. "Sempre fiquei com homens, mas há uns três anos, conversando com uma amiga, tive a curiosidade de beijar uma mulher. Mas isso nunca tinha acontecido, até ano passado. E agora completamos cinco meses de namoro", disse.

A teoria psicanalítica postula uma fase de adaptação homossexual na pré-adolescência normal. "Estudos indicam que tanto os homens quanto as mulheres relatam nos consultórios terapêuticos a presença durante a adolescência de certa forma de escape homossexual, até o ponto do orgasmo. Assim, muitas pessoas que tenham tido experiências homossexuais não são homossexuais no sentido de que ele constitua um método único de expressão sexual", disse a psicóloga Icléia Rocha.

Hoje as pessoas abrem mais sua opção sexual, até mesmo "carregam uma bandeira" para defender sua sexualidade. "O fato é antigo, mas parece atual, pois a liberdade de expressão dos sentimentos não é mais uma dificuldade nesta escolha feita", disse a psicóloga.

O relacionamento heterossexual tem suas complicações, todo mundo sabe. Imagine ter de se desdobrar para conviver com as queixas e cobranças de ambos os sexos. "Já namorei homens e mulheres. A 'DR' (discussão sobre o relacionamento) existe dos dois lados. Sinceramente, os homens são bem mais fáceis de relacionar, mas, por estranho que possa parecer, as 'DRs' entre homens são mais pesadas."

Já Gabriela acha que a 'DR' feminina é válida, mas também mais detalhada. "Mulher geralmente sabe o que a outra está pensando, tem mais sensibilidade para perceber quando a outra está diferente, triste ou estressada. Mulher é mais teimosa e, até certo ponto, mais orgulhosa também. Quando há um atrito, uma briga pequena, é preciso muito jogo de cintura para deixar o orgulho de lado e pedir desculpas", disse.

O preconceito ainda existe, por isso nem todos assumem a bissexualidade. "Não saio falando para todo mundo, porque não vejo necessidade. Quem sabe são meus amigos e nenhum deles até hoje agiu de forma diferente do que agia antes", disse Gabriela.

Mas quando o assunto é sinceridade com o parceiro, o caso complica. Nem todas as pessoas aceitam a opção bissexual, especialmente por saber que a "concorrência" acontece dos dois lados.

"Eu jogo limpo com quem me relaciono, mas com as mulheres complica um pouco. Nem todas aceitam a minha opção, então nem sempre falo a verdade", disse Chavezz.

Gostar e se relacionar com homens e mulheres pode levar a algumas situações engraçadas, até mesmo constrangedoras. Imagine estar namorando um homem, de repente sentir uma atração por uma mulher, se entregar e, quando perceber, eles são parentes. Parece enredo de novela, mas aconteceu com o ator.

"Tinha ficado com uma garota em uma festa e, no outro dia, ela me chamou pra ir na casa de uns amigos. Eu inventei uma desculpa para não ir, pois tinha marcado de sair com um garoto que eu estava ficando. Daí ele me convidou para uma festinha na casa de uns amigos. A festa rolando, eu e o garoto ficando e, de repente, chega a menina que eu tinha ficado no dia anterior. Não pude evitar, ela me viu beijando o cara e, para piorar, a garota era prima dele. Fiquei numa saia justa, deu uma confusão esse dia", disse.

Mesmo se orientando pela bissexualidade, o ator não perde a vontade de ter um relacionamento "tradicional" com uma mulher, casar e ter filhos. "Gostar de homens e mulheres não impede nada. Quero casar e ter quatro filhos", disse.

Bruno Chavezz está convicto quanto sua opção sexual, e sabe bem o que deseja para seu futuro. Quanto ao desfecho do romance entre Serginho e Fernanda, no BB10, e Osmar e Alice, em Viver a vida, resta apenas esperar as cenas dos próximos capítulos.