Advogado chama Nardoni de "vítima" e é reprimido pelo juiz

Portal Terra

SÃO PAULO - O juiz Maurício Fossen, responsável pelo júri do caso Isabella, interrompeu a fala do advogado Roberto Podval por ter chamado o réu Alexandre Nardoni de "vítima". O defensor questionava a delegada Renata Pontes - a primeira testemunha ouvida nesta terça-feira no Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo - por que havia encaminhado seu cliente para passar por exames logo após "perder a filha". Nesse momento, Fossen disse: "a vítima estava morta naquele momento".

Segundo a delegada, um dos exames a que Nardoni foi submetido foi o toxicológico, para verificar se o acusado havia bebido ou utilizado entorpecentes. O resultado deu negativo.

Durante a oitiva da testemunha, Podval insistiu em perguntar o motivo da delegada não ter solicitado perícia na chave do apartamento. Na avaliação do defensor de Alexandre Nardoni, o ferimento provocado por um objeto pontiagudo, encontrado na testa de Isabella, poderia ter sido causado com o objeto. A delegada rebateu o argumento, afirmando que ela poderia ter sido ferida em uma quina e que a chave entregue pela defesa do casal à polícia poderia ser uma cópia.

O caso

O julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá começou em 22 de março e deve durar cinco dias. O júri popular ouve 16 testemunhas , sendo 11 arroladas pela defesa, três compartilhadas entre advogados do casal e acusação e duas do Ministério Público. Seis foram dispensadas pela defesa ainda no primeiro dia e uma, pela acusação.

Isabella tinha 5 anos quando foi encontrada ferida no jardim do prédio onde moravam o pai e a madrasta, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico. O pai e a madrasta foram os únicos indiciados, mas sempre negaram as acusações e alegam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que invadiu o apartamento.