Psiquiatra: casal assinou o crime ao não ir à reconstituição

Portal Terra

SÃO PAULO - O psiquiatra forense Guido Palomba afirmou nesta segunda-feira em entrevista ao Terra TV que o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá assinou sua culpa na morte da menina Isabella Nardoni ao não comparecer à reconstituição do crime.

No ramo da psiquiatria forense há mais de 30 anos, especialidade que avalia a sanidade mental de pessoas envolvidas em processos judiciais, Palomba não tem dúvidas de que o pai e madrasta de Isabella cometeram o crime com a menina de 5 anos, em março de 2008.

"Se ele era inocente deveria ter ido na reconstituição para mostrar isso. Mostrar onde ele pôs o pé, a mão...Mostrar para todos que ele não é culpado. Ao não comparecer a reconstituição foi a primeira assinatura do crime", afirmou o psiquiatra.

"Me impressiona como as pessoas ainda acham que o casal é inocente. Por que eles fogem? Falta a garra dos inocentes. Nunca vi um inocente fugir ao invés de defender sua verdade, sua inocência. Nem os doentes mentais fogem se forem inocentes", disse Palomba.

Para o especilista, outro ponto que depõe contra o casal é o fato da postura pouco controlada de Anna Carolina Jatobá em momentos de irritação, o que deixa transparecer que a madrasta descarregou seu ciúme na enteada.

"A madrasta (Anna Carolina) tem propensão a crises de mau humor, crises de estreitamento de consciência. Segundo os relatos dos vizinhos, ela já tinha mostrado crises de raiva antes, na qual a pessoa perde completamente a noção de crítica e grita, berra e bate nas pessoas", disse Palomba.

"Ela (Isabella) deve ter chorado, a criança devia estar meio irritada. A madrasta é movida por uma raiva irrefreável e esgana a criança. Quando estreita a consciência, ela pratica atos que não freia e muitas vezes ela não lembra. As evidências são muitas e elas não sentem. Como se fosse uma espécie de amnésia".

O caso

O julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá começou em 22 de março e deve durar cinco dias. O júri popular ouve 23 testemunhas - 17 convocadas pela equipe de defesa do casal Nardoni, três compartilhadas entre os advogados e o Ministério Público e três da assistente de acusação.

Isabella tinha 5 anos quando foi encontrada ferida no jardim do prédio onde moravam o pai e a madrasta, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico. O pai e a madrasta foram os únicos indiciados, mas sempre negaram as acusações e alegam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que invadiu o apartamento.