Pai de menino morto em sequestro apoia mãe de Isabella

Fabiano Rampazzo, Portal Terra

SÃO PAULO - Quase 13 anos depois de o filho ter sido sequestrado e morto no interior de São Paulo, o comerciante Masataka Ota, 53 anos, compareceu na tarde desta segunda-feira ao Fórum de Santana, na capital paulista, para acompanhar o julgamento do caso Isabella. Ao chegar no local, o japonês disse que fazia questão de prestar solidariedade à Ana Carolina de Oliveira, mãe da menina.

O julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados de matar a menina Isabella em 2008, começou às 14h17 com o sorteio dos jurados no Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo. O início estava previsto para as 13h. Dezenas de pessoas, entre jornalistas, estudantes, curiosos e manifestantes pedindo justiça, acompanham o caso que comoveu a opinião pública nacional do lado de fora do tribunal.

"Senti uma dor muito parecida com a da Carol (mãe de Isabella). Desde então, venho lutando por justiça", disse o comerciante, que chegou a reunir mais de 3,5 milhões de assinaturas em um projeto de lei encaminhado ao Congresso Nacional que pedia prisão perpetua para crimes hediondos no Brasil.

"Há uma impunidade muito grande no Brasil, mas o povo quer justiça. Prova disso é a quantidade de gente ao redor deste Fórum", afirmou. O filho do comerciante, Yves Yoshiaki Ota, 8 anos, foi sequestrado e morto em setembro de 1997 no Vale do Paraíba, no interior paulista.

O caso

O julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá começou em 22 de março e deve durar cinco dias. O júri popular ouve 23 testemunhas - 17 convocadas pela equipe de defesa do casal Nardoni, três compartilhadas entre os advogados e o Ministério Público e três da assistente de acusação.

Isabella tinha 5 anos quando foi encontrada ferida no jardim do prédio onde moravam o pai e a madrasta, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico. O pai e a madrasta foram os únicos indiciados, mas sempre negaram as acusações e alegam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que invadiu o apartamento.