Estrangeiros mostram curiosidade com meio ambiente em fórum da ONU

JB Online

RIO DE JANEIRO - Como a cidade se prepara sobretudo ambientalmente para sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016? Estes foram os principais questionamentos feitos por um grande público que incluiu muito estrangeiros, no painel Sustentabilidade em Grandes Cidades e nas Regiões Metropolitanas apresentado pela secretária de Estado do Ambiente (SEA), Marilene Ramos.

As curiosidades foram expressas nesta segunda-feira (22/3), no primeiro dia do 5º Fórum Urbano Mundial da UN Habitat, evento da ONU que está sendo realizado pela primeira no Rio de Janeiro, no Cais do Porto. Aberto pela manhã pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo governador Sérgio Cabral e pela ministra Dilma Rousseff, o fórum que se estende até a próxima sexta-feira, atraiu centenas de pessoas.

Diante da sala de conferência lotada, a secretária Marilene Ramos, que presidiu a mesa de debates, abordou com transparência, atitude que lhe rendeu elogios do público, os desafios que o Rio tem enfrentado e as medidas com as se quais tem buscado solucionar problemas como a falta de saneamento e de gestão de resíduos sólidos, sobretudo quanto à destinação do lixo.

- Não há como esconder. Logo na chegada ao Rio os visitantes se deparam com os problemas. Desde a falta de ordenamento urbano e o mau-cheiro que exala dos canais do Fundão e do Cunha à poluição da baía da Guanabara. São problemas que há anos vinham se arrastando sem que se buscasse a efetiva solução. Muitos governantes sequer tinham conhecimento de para onde vai o esgoto e o lixo produzidos na cidade. Como técnica tenho obrigação de enfrentar a questão e mostrar que apesar de ser essa a nossa triste realidade, temos que mudar isso - afirmou.

Marilene Ramos relacionou os diversos programas em andamento no Estado. Chamaram atenção da platéia, especialmente, o Pacto pelo Saneamento, com a instalação de aterros sanitários consorciados nos municípios e o Projeto Iguaçu, o PAC da Baixada Fluminense, que inclui o desassoreamento e desocupação das margens de rios e canais e realocação de moradores em condomínios habitacionais construídos pelo Estado. Principalmente porque o programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos é responsável por promover o desenvolvimento social e ambientalmente sustentável, tendo como meta principal assegurar moradia adequada para as populações. Por isso, muitos dos participantes têm vínculo com movimentos sociais por moradia e em defesa do meio ambiente em outros estados e até em outros países, a maioria da América Latina.

O tema central da conferência da SEA foi a gestão ambiental de grandes cidades, com foco nos temas recursos hídricos e aproveitamento da energia. As superintendentes de Instrumentos de Gestão Ambiental, Eloísa Helena Torres e de Crédito de Carbono e Mudanças Climáticas, Márcia Real, trataram de questões como abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem urbana, reuso de água, despoluição a crescente demanda por energia nas cidades e as energias alternativas.

Entre os dados apresentados, Márcia Leal lembrou que atualmente 88% da energia gerada no mundo são de fontes fósseis e apenas 12% são provenientes de fontes alternativas, o que contribuem para aumento da emissão de gases de efeito estufa.

- E a demanda por energia cresce mais a cada ano, principalmente pelo aumento da concentração urbana em nível mundial. Atualmente 40% da poulação do continente africano está concentrada em áreas urbanas. No Brasil chegamos aos 82%. Até 2.030 a estimativa é de que 66% da população mundial estarão concentradas nas grandes cidades - afirmou a superintendente sobre Mudanças Climáticas.

Para falar das alternativas para o aproveitamento da energia, a SEA convidou representantes da General Electric (GE), que apresentaram os projetos desenvolvidos pela empresa em vários países como China, Estados Unidos e Qatar, no Oriente Médio. Segundo dados apresentados pela empresa, os investimentos em torno da geração de energia hoje giram em torno dos US$ 5 bilhões ao ano. Considerando que o consumo de energia cresce 30% e a demanda por água para geração cresce 40% ao ano, sem as energias alternativas, essa conta muito em breve vai alcançar níveis ainda mais estratoféricos.

Os projetos que a GE disponibiliza incluem desde estações de tratamento de efluentes com reuso da água, tecnologia já disponível no Brasil, a projetos de Smart Grid, em Miami, na Flórida onde o uso da energia é totalmente automatizado e pode ser programado de acordo com a necessidade, até os sistemas de geração distribuída e de tarifas horosazonais que consideram critérios diferenciados de distribuição, fornecimento e uso, que permitem considerável economia de energia, bem como, cobrança diferenciada pelo consumo.

(Com informações da Assessoria de Imprensa)