Defesa pode chamar mãe de Isabella para acareação

Fabiana Leal e Hermano Freitas, Portal Terra

SÃO PAULO - Ao final do depoimento de mais de duas horas da mãe de Isabella, a defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá solicitou que Ana Carolina de Oliveira fique à disposição nos próximos dias para uma "eventual acareação". O pedido foi feito pelo advogado Roberto Podval ao juiz que preside a sessão, Maurício Fossem. A mãe da menina reagiu e começou a chorar.

Podval classificou como "carregado de emoção" o depoimento de Ana Carolina e disse que pode ter havido supostas contradições no relato, sem dar detalhes. "Eu respietei a mãe, até porque não fui eu que pedi para ouvi-la. Agora, eles (acusação, comandada pelo Ministério Público) a chama, a coloca em contradição e depois eu que sou insensível por querer mantê-la", disse.

Após quase oito horas, o primeiro dia do julgamento do casal Nardoni encerrou por volta das 21h50 desta segunda-feira, no Fórum de Santana, na zona norte da capital paulista. O júri iniciou pouco depois das 14h, com mais de um hora de atraso.

Mãe chora

No primeiro e único depoimento do dia, a mãe de Isabela chorou pelo menos quatro vezes ao falar da morte da filha. Emocionada com o relato, uma das juradas limpou os olhos. A madrasta da garota, sentada no banco dos réus, também chorou.

Com a voz embargada, a bancária contou detalhes de quando recebeu a notícia da morte da menina e de quando a viu caída no jardim do edifício. Na oitiva, ela disse que, ao chegar no edifício London, Alexandre gritava que tinha um ladrão no prédio, enquanto Jatobá estava muito nervosa.

A bancária ainda afirmou que discutiu com a mulher de Alexandre, pediu para Jatobá "calar a boca" e em seguida ouviu a resposta: "cale você. Toda esta situação está acontecendo por causa da sua filha". A madrasta da menina chorou no início do depoimento, quando Ana Carolina deu detalhes sobre o dia do crime.

No júri, Ana Carolina voltou a afirmar ter sido ameaçada de morte por Alexandre em 2003, durante uma discussão sobre a ida de Isabella à escola. Ela disse que ex-namorado prometeu matar também a avó da garota, Rosa Cunha de Oliveira, favorável à decisão de mandar a menina para a escola. Alexandre negou o fato balançando a cabeça.

O julgamento do casal Nardoni, acusado de matar Isabella em março de 2008, começou às 14h17 desta segunda-feira com o sorteio dos jurados no Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo. O início estava previsto para as 13h. Dezenas de pessoas, entre jornalistas, estudantes, curiosos e manifestantes pedindo justiça, acompanham o caso que comoveu a opinião pública nacional do lado de fora do tribunal.

O caso

O julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá começou em 22 de março e deve durar cinco dias. O júri popular ouve 16 testemunhas , sendo 11 arroladas pela defesa, três compartilhadas entre advogados do casal e acusação e duas do Ministério Público. Seis foram dispensadas pela defesa ainda no primeiro dia e uma, pela acusação.

Isabella tinha 5 anos quando foi encontrada ferida no jardim do prédio onde moravam o pai e a madrasta, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico. O pai e a madrasta foram os únicos indiciados, mas sempre negaram as acusações e alegam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que invadiu o apartamento.