PF prende quadrilha que clonava cartões para comprar passagens aéreas

Pedro Peduzzi, Agência Brasil

BRASÍLIA - A Polícia Federal iniciou nesta quinta-feira a Operação Ícaro, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa que clonava cartões bancários para utilizá-los, principalmente, na compra de passagens aéreas, nos estados de Minas Gerais, do Pará, Rio de Janeiro, Ceará e da Bahia. Cinco mandados de prisão preventiva e nove mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos, a pedido da 3ª Vara Criminal da comarca de Governador Valadares (MG).

A quadrilha conseguia, de forma fraudulenta, números de cartões de crédito e os utilizava para comprar diversos produtos pela internet, além de passagens aéreas. De acordo com a Polícia Federal, os criminosos também efetuaram diversas manobras com o intuito de vender essas passagens.

As investigações tiveram início em novembro de 2009, a partir da denúncia de uma empresa aérea que percebeu queda vertiginosa de lucro, apesar da alta frequência de passageiros nos voos que partiam do aeroporto de Governador Valadares principal área de atuação da quadrilha.

A empresa, segundo a PF, verificou que a queda de faturamento e lucro estava relacionada ao uso de cartões de crédito clonados para pagamento das passagens e comunicou o fato à PF. Ao todo, 28 integrantes da quadrilha foram identificados e indiciados por recepção qualificada, furto qualificado e formação de quadrilha.

Parte dos criminosos atuavam em Belém (PA), onde tinham a função de captar os números de cartão de crédito a partir de empresas terceirizadas de editoras que vendiam assinaturas de revistas e por ligações efetuadas para a casa das pessoas, principalmente idosas, fazendo-se passar por funcionários das administradoras Visa e Mastercard.

Outra parte do bando, também sediada em Belém, era responsável pela compra desses números de cartões de crédito conseguidos pelo primeiro grupo. Pagavam entre R$ 3 e R$ 150 por cartão. O preço variava em função da quantidade de dados disponíveis, do limite de crédito, da validade e da confiabilidade. Com cartões e dados em mãos, os golpistas realizavam as compras na internet.

Outros integrantes da quadrilha sediados em Governador Valadares, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, além de Belém eram responsáveis por conseguir compradores dos produtos adquiridos com os cartões: passagens aéreas internacionais; diárias em hotéis de luxo, principalmente na grande São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro; ingressos em camarote para shows internacionais; e produtos dos sites de compras da internet.

Em Governador Valadares, passagens aéreas nacionais eram vendidas pela metade do preço original anunciado nos sites. Mais de 500 passagens aéreas fraudadas foram identificadas pela PF. O prejuízo estimado supera R$ 250 mil, com os mais de 200 cartões de crédito fraudados. Para as empresas aéreas, a estimativa de prejuízo passa de R$ 2 milhões.

A PF identificou, entre os passageiros que compraram os bilhetes aéreos, médicos, dentistas, funcionários públicos, servidores da prefeitura de Governador Valadares, e autoridades públicas, como juízes, promotores, procuradores federais e políticos. A princípio, sem conhecimento da fraude.

Ainda segundo a PF, um dos presos durante a operação de hoje foi recentemente detido em flagrante por agentes federais durante a execução da terceira fase do vestibular da Universidade Federal do Pará, realizada no dia 11 de fevereiro, utilizando documento de identidade falso, se passando por outra pessoa durante a prova.

A PF indiciou também a gerente-geral da Caixa Econômica Federal de Governador Valadares por ter vazado, durante os trabalhos investigativos, conteúdo sigiloso da operação que tinha conhecimento exclusivamente em face do cargo público que ocupa.