PF faz nova busca na Câmara do DF e vasculha e-mails

Luciana Cobucci e Claudia Andrade, Portal Terra

BRASÍLIA - Peritos da Polícia Federal realizaram nesta quinta-feira um rastreamento nos e-mails do deputado Geraldo Naves (DEM). Outras duas operações de busca e apreensão estão em curso, em locais não divulgados à imprensa. Todas estão relacionadas às investigações da Operação Caixa de Pandora, que investiga um suposto esquema de pagamento de propina no governo do Distrito Federal.

O comunicado enviado à diretoria de informática da Câmara Legislativa do Distrito Federal, onde está sendo feita a operação de busca e apreensão, requer a quebra de sigilo das mensagens recebidas e enviadas no início deste ano.

"Determino que seja dado amplo e imediato acesso à autoridade policial federal a todas as mensagens eletrônicas remetidas e recebidas no período compreendido entre 1º de janeiro a 4 de fevereiro de 2010", diz o ofício.

Geraldo Naves está preso desde o último dia 13, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, acusado de corrupção de testemunhas do inquérito. A prisão foi determinada pelo Superior Tribunal de Justiça, que também determinou a prisão de José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) e seu afastamento do cargo de governador, e de outras quatro pessoas.

Naves, mesmo preso, ainda tem direito a uma vaga na Câmara Legislativa, por ser suplente de Júnior Brunelli (PSC), que renunciou ao mandato na última semana.

Escutas

No dia 10 de fevereiro, a Polícia Civil realizou uma primeira varredura nos gabinetes, na presidência e na vice-presidência da Câmara do Distrito Federal em busca de possíveis escutas, segundo pedido feito pela bancada petista. Os trabalhos foram interrompidos durante a madrugada porque as baterias dos equipamentos terminaram e foram retomados no dia seguinte.

Os grampos seriam uma tentativa de espionar parlamentares que fazem oposição ao governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), acusado de envolvimento em um suposto esquema de pagamento de propinas.

Entenda o caso

O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.