Maioria do STF vota por manter José Roberto Arruda preso

Laryssa Borges, Portal Terra

BRASÍLIA - A despeito de o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) ainda estar julgando o pedido de habeas corpus em favor do governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, a maioria dos ministros já se manifestou a favor de se manter a detenção do político, que está na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde o dia 11 de fevereiro. Caso nenhum deles mude seu entendimento, o político continuará preso.

O Supremo julga nesta quinta-feira o pedido de liberdade de Arruda, preso por suspeita de corrupção de testemunhas e por supostamente utilizar a máquina pública para impedir a tramitação de processos de impeachment contra ele na Câmara Distrital. Apontado pela Polícia Federal como o coordenador do esquema do mensalão do DEM em Brasília, ele chega a aparecer em um vídeo colocando maços de dinheiro, supostamente fruto de propina, em uma sacola.

Relator do caso, o ministro Marco Aurélio Mello argumentou que o esquema do mensalão do DEM em Brasília, que oferecia propina a parlamentares em troca de apoio político a José Roberto Arruda, foi totalmente orquestrado com o aval do político. Após analisar cada tentativa do governador de inviabilizar o curso das investigações, o magistrado votou por manter Arruda na prisão, tendo sido seguido, até o momento, pelos ministros Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso e Joaquim Barbosa.

Apenas o ministro Dias Toffoli sustentou haver erro formal na prisão do governador por não ter sido pedida autorização da Câmara Legislativa do DF para abrir ação penal contra o político.

A operação Caixa de Pandora, que desbaratou o esquema supostamente comandado pelo governador José Roberto Arruda (sem partido), revelou que deputados distritais da base governista recebiam propinas constantes em troca de apoio político. Vídeos gravados pelo então secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, mostram, por exemplo, o deputado Leonardo Prudente, que chegou a ser presidente da Câmara Legislativa, colocando maços de dinheiro até nas meias. Outros parlamentares foram filmados fazendo a "oração da propina", uma oração agradecendo Durval por seu papel no governo.