MG: maníaco mandava as vítimas vestirem roupa antes de matá-las

Portal Terra

BELO HORIZONTE - O pintor Marcos Antunes Trigueiro, 32 anos, apontado pela polícia como o maníaco suspeito de matar cinco mulheres na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), mandava as vítimas vestir a roupa após estuprá-las.

A informação foi divulgada pelo delegado Frederico Abelha, que prendeu e ouviu o depoimento de Trigueiro. - O objetivo dele era possivelmente 'desarmar' as vítimas, já que elas acreditavam que seriam somente estupradas, mas em seguida ele as matava - disse.

O delegado afirmou que o pintor permaneceu sempre de cabeça baixa durante o depoimento e demonstrou desconforto quando as fotos dos corpos das vítimas foram mostradas a ele.

- Ele virava o rosto e não queria olhar o que ele mesmo havia feito - afirmou.

Ao ser novamente apresentado pela polícia à imprensa, Marcos Antunes Trigueiro balbuciou algumas poucas palavras aos repórteres. - Eu vou morrer - disse, quando perguntado que recado mandaria para a mãe dele, que mora em Brasilia de Minas, no norte do estado.

Trigueiro direcionou ainda outra frase à mãe, Terezinha Trigueiro, e à mulher, Rose Paula Teixeira Câmara, que foi solta na segunda-feira após o juiz Nelson Messias de Morais expedir um alvará de soltura. - Eu amo a minha mulher, eu amo a minha mãe - disse.

O pintor confessou o estupro e assassinato de cinco mulheres. O exame de material genético (DNA) comprovou ser dele o sêmen encontrado nos corpos de três vítimas. De acordo com as investigações, a forma que o criminoso matou as três mulheres é parecida: elas foram estranguladas com algum objeto que estava na cena do crime. Para matar a comerciante Ana Carolina Assunção, 27 anos, o suspeito utilizou o cadarço de um calçado.

A empresária Maria Helena Lopes Aguilar, 48 anos, foi morta com o cinto de segurança do carro dela. Já a contadora Edna Cordeiro foi estrangulada com um cabide que ela levava no carro para pendurar um casaco. Todas sofreram violência sexual e tiveram apenas os telefones celulares roubados.

Outras duas mulheres foram alvos de Trigueiro, mas o exame de DNA não pôde ser feito porque os corpos foram encontrados em avançado estado de decomposição e não houve a possibilidade de se coletar material genético nas vítimas.

A comerciante Ádina Feitor Porto, 34 anos, foi encontrada morta em uma mata de Sarzedo, na região metropolitana de Belo Horizonte. O carro dela foi localizado abandonado na mata das Abóboras, em Contagem.

Já a estudante de Direito Natália Cristina de Almeida de Paiva, 27 anos, sumiu em outubro de 2009. O carro que ela dirigia foi encontrado com marcas de batida no Barreiro, próximo ao bairro Industrial e a ossada localizada na mata do bairro Belvedere 2, em Ribeirão das Neves.

Por uma falha de comunicação entre o IML e a Delegacia de Neves, Natália foi enterrada como indigente e só identificada após a exumação dos restos mortais, quatro meses depois da localização da ossada.

As duas famílias, de Ádina e Natália, foram informadas pela polícia de que elas também foram vítimas do suspeito. Todas as vítimas são mulheres maduras, independentes financeiramente e foram abordadas quando voltavam para casa de carro próprio. Elas ainda têm feições parecidas (morenas claras, cabelos negros abaixo do ombro) e carreira profissional definida: três comerciantes, uma contadora e uma estudante de direito.