MG: maníaco é suspeito de matar mais 4; filha seria vítima

Ney Rubens, Portal Terra

BELO HORIZONTE - O pintor Marcos Antunes Trigueiro, 32 anos, suspeito de estuprar e matar cinco mulheres na região metropolitana de Belo Horizonte, pode ter matado também a filha de 3 meses em Ibirité, em 2005. Ele é ainda investigado pela morte de um empresário e um taxista, em 2004, e de um tio, em 2002. Se confirmada a autoria de Trigueiro em todos os crimes, o número de pessoas mortas por ele chega a nove.

Em depoimento na última sexta-feira, Trigueiro negou que tenha matado a filha, Mariana da Silva Trigueiro, e disse que a menina era adotada. Segundo o que apurou a polícia, na época, o bebê teria sido entregue pela mãe biológica, uma das ex-mulheres do pintor, à uma mãe adotiva.

No dia do crime, Trigueiro teria ido à casa da mãe adotiva e pedido para levar a criança de volta, porque estava com saudades. Ao buscar o bebê na casa do suspeito, à noite, a mulher descobriu que a menina havia sido morta por espancamento.

Ela teria sido agredida com socos, pontapés e teria sido jogada contra uma parede. O atestado de óbito da menina indicou que ela teve traumatismo craniano, fraturas no tórax e outros ferimentos na região abdominal.

Em depoimento, a atual mulher de Trigueiro, Rose Paula Teixeira Câmara, 27 anos, confirmou que a menina era, na verdade, filha do pintor, e não enteada. O delegado Frederico Abelha disse que "provavelmente o suspeito mentiu no depoimento".

A Polícia Civil informou, nesta terça-feira, que um empresário também teria sido morto por Trigueiro em 2004. Davi Ribeiro Azevedo foi atingido por um tiro no peito quando o suspeito roubava a pizzaria de propriedade dele, que fica no bairro Santa Cruz, em Contagem. Após a prisão do pintor, na semana passada, o irmão de Azevedo o reconheceu e procurou a polícia.

Celulares e novas vítimas

O delegado Frederico Abelha informou que a perícia do Instituto de Criminalística feita nos telefones celulares encontrados com Trigueiro no dia da prisão dele comprovou que os aparelhos eram das mulheres estupradas e mortas no ano passado.

Um dos telefones estava sendo utilizado pela mulher do suspeito. Outros dois haviam sido queimados depois da divulgação dos crimes na imprensa, e dois vendidos a outras pessoas. Estes dois últimos foram recuperados pela polícia.

Abelha informou ainda que, depois da prisão do suspeito, outras cinco mulheres procuraram o Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa para dizer que também foram atacadas por Trigueiro. A identidade das vítimas não foi divulgada e a polícia ainda apura quais teriam sido realmente abordadas por Trigueiro.