Ananias: Programas sociais da década de 90 não tiveram continuidade

Lourenço Canuto, Agência Brasil

BRASILIA - O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, afirmou hoje (2) que os programas sociais criados na década de 90 não tiveram sucesso porque não houve continuidade, nem integração. Segundo ele, de 2003 para cá, no entanto, os programas foram ampliados e a renda das populações mais pobres no Brasil aumentou em patamares mais elevados do que a das classes mais altas.

Patrus disse que houve também aperfeiçoamento dos mecanismos de avaliação dos programas, que no Brasil contam com parceria da sociedade civil, e defendeu o papel do Estado como indutor de políticas sociais".

O Bolsa Família, destacou o ministro, tem dado resposta muito positiva, com a redução do trabalho infantil e a retirada de populações do estado de risco. A população paupérrima passou a consumir mais nos últimos anos, movimentando a economia nas localidades onde mora, e houve melhoras na educação e no atendimento à saúde, reduzindo a pobreza e a desigualdade", afirmou.

Ao participar da 2ª Reunião dos Ministros de Assuntos Sociais e Desenvolvimento da Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa), o ministro afirmou que, no atual governo, 20 milhões de pessoas saíram da pobreza absoluta, com a adoção dos programas sociais integrados. O evento, que está sendo realizado no Itamaraty, reúne representantes de 12 países latino-americanos e 22 do mundo árabe, para discutir políticas comuns de apoio às populações mais pobres.

O ministro de Desenvolvimento Social do Paraguai, Pablino Cáceres, disse que mais de 40% da população de seu país recebe apoio governamental, com ações na área social que incluem ajuda alimentar. "O governo quer devolver a dignidade do povo paraguaio e assegurar o retorno à sua cultura e tem planos de adotar políticas específicas até 2020 para reduzir as desigualdades entre os grupos sociais , informou Cáceres.

A vice-ministra de Desenvolvimento Social do Peru, Aura Quiñones, considerou a reunião em Brasília um espaço importante para que os países façam uma discussão conjunta dos problemas das populações mais pobres. "É animador ver todos da região, e também as nações árabes, unidos para alcançar os objetivos da Declaração do Milênio em prol da redução da pobreza no mundo.

Aura Quiñones destacou a redução da mortalidade infantil em seu país em 68% a partir de 2006 e disse que "a evolução na área educativa deve acompanhar o desenvolvimento econômico, paralelamente".