Sucessão 2010: PSDB vai a Minas tentar a união

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O PSDB, pressionado pelo DEM e PPS partidos aliados da coalizão presidencial começou a articular um movimento para lançar a candidatura de José Serra, o governador de São Paulo, ao Palácio do Planalto o quanto antes, diante dos resultados da pesquisa Datafolha de domingo, na qual ele aparece apenas a quatro pontos à frente de Dilma Rousseff, a candidata do PT. Na quinta-feira, em Belo Horizonte (MG), o tucanato desembarca em peso ainda com outra missão: será mais uma tentativa da cúpula para convencer o governador mineiro Aécio Neves a ser o vice de Serra na chapa presidencial. Eles se encontram em evento em memória a Tancredo Neves, que completaria 100 anos.

Aécio, no entanto, disposto a disputar o Senado, já mandou um recado segunda-feira:

Sou mestiço. Como é que vou participar de uma chapa puro sangue?

O esforço dos partidos, entretanto, permanece. O deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA) adiantou que conversará com Aécio.

Nós, do Democratas, acreditamos que está é a melhor chapa da oposição na disputa presidencial. Agora, temos de convencer o governador Aécio Neves. Vamos aproveitar as homenagens a Tancredo Neves para conversar mais uma vez com ele afirmou.

Indagado segunda-feira sobre a possibilidade de Serra desistir da candidatura, Aécio foi enfático na defesa do aliado:

Não se cogita nada parecido com isso. Nós estamos ainda a um longo período das eleições. O nosso companheiro, governador José Serra, tem todas as condições de enfrentar adequadamente essa disputa disse o governador, ao passo que apontou o potencial do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) para vice Tasso é um nome com belas condições de ajudar, até mesmo pela presença forte que tem na região Nordeste.

Mea-culpa

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), admitiu segunda-feira que a demora do partido em definir o seu pré-candidato para a Presidência da República ajudou no crescimento de Dilma Rousseff (PT) nas pesquisas de intenção de voto.

Guerra ainda lamentou as recentes catástrofes naturais no estado de São Paulo, governador por Serra, que teriam, segundo os tucanos, contribuído para a queda de Serra nas pesquisas.

Em São Paulo enfrentamos dificuldades, imprevistos, como as chuvas. Por outro lado, fica claro que existe uma campanha em andamento (do PT) e não existe um candidato lançado do nosso lado. Nem campanha, nem aparição nacional comentou Guerra.

Oposição

A oposição, principalmente o PT, comemorou o pesquisa. O líder do governo na Câmara, deputado Candido Vacarezza (PT-SP), disse que a queda de Serra nas pesquisas é consequência de ter sua imagem atrelada à do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

A rejeição ao Serra cresce porque, mesmo que ele faça um salamaleque para dizer que não é antiLula, a oposição não o permite fazer esse tipo de movimento porque são muito duros com o governo. A oposição não deixa o Serra se movimentar. (Com agências)