Em resposta a apoio a Irã, Lula diz que visita país que quiser

Laryssa Borges, JB Online

SALVADOR - Às vésperas da chegada da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, ao Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afastou nesta sexta-feira qualquer possibilidade de desgaste com a Casa Branca por conta de suas relações comerciais e de sua visita de Estado ao Irã em maio. Em um recado voltado ao provável pedido dos Estados Unidos para que o Brasil aprove sanções contra o país islâmico por uso de armas nucleares com propósitos suspeitos, Lula resumiu: "não vejo nenhum problema em eu visitar o Irã e não terei que prestar contas a ninguém, a não ser ao povo brasileiro".

O Brasil é um dos dez membros rotativos do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e tem se manifestado contra a imposição de sanções a Teerã. "Todo mundo sabe que o Brasil é o único país do mundo que tem na sua Constituição a proibição da utilização de armas nucleares. Isso é constitucional no Brasil, não é vontade do presidente. Isso é proibido pela Constituição. Eu disse publicamente que eu quero para o Irã o que eu quero para o Brasil. O Brasil está fazendo enriquecimento de urânio. O Brasil quer utilizar seu enriquecimento na indústria farmacêutica, para produzir energia e o mesmo nós desejamos para o Irã. Além disso, o Irã estará rompendo com o tratado que é feito por todos nós nas Nações Unidas e eu não poderia concordar. Isso já foi dito 300 vezes aqui e vou continuar dizendo", disse o presidente brasileiro.

Emissário dos EUA, o subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, William Burns está em Brasília para tentar convencer o Brasil a aprovar no Conselho de Segurança um pedido para que o Irã seja penalizado por não dar detalhes esclarecedores sobre seu programa nuclear.

"O Irã é um país de 80 milhões de habitantes, é um país que tem uma base industrial importante, é um país que o Brasil tem a exportação de mais de US$ 1 bilhão e estou indo para o Irã como vou em qualquer país do mundo. Não tem nada. Os EUA nunca pediram para mim para não viajar para qualquer país. Não tem que prestar contas para mim. A relação americana é uma relação soberana. Eles visitam quem querem e eu visito quem quero dentro do respeito soberano de cada país. Cada país exercita a democracia à sua maneira", disse Lula.