Defesa reivindicará na Justiça melhores condições a Arruda na prisão

Claudia Andrade, Portal Terra

BRASÍLIA - O advogado do governador afastado do Distrito Federal (DF) José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), Nélio Machado, afirmou na noite desta quinta-feira que vai solicitar ao poder judiciário condições melhores a seu cliente que está preso desde o dia 11 de fevereiro na superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília.

Machado afirmou que vai pedir que o médico particular de Arruda o visite na prisão. Até agora o governador tem sido atendido por um médico da própria PF. "Nós pedimos que o médico particular dele o examinasse, porque ele tem tido queda de pressão. O delegado disse que basta a médica da polícia, ou seja, nega-se a ele o direito a um médico privado. Todos nós temos o médico da nossa confiança."

Além da visita do médico particular, o advogado também disse que Arruda vive uma situação peculiar. Afirmou que ele não pôde assitir à final do primeiro turno do campeonato de futebol carioca - Taça Guanabara. "Ele por exemplo é botafoguense, tentou assistir à final do campeonato e não pôde. Tem uma televisão contígua (na PF), os policiais podem ver, ele não", disse.

"Então esse tratamento, que eu considero não compatível com a situação dele, é algo que efetivamente vai me obrigar a postular perante o poder judiciário que se alterem essas situações todas que não são justas, não são corretas e representam um risco", afirmou.

O advogado reafirmou que o governador ficará afastado do cargo até o final das apurações de seu suposto envolvimento na Operação Caixa de Pandora que investiga o esquema de distribuição de propina no DF.

Ele disse ainda que a decisão tomada em conjunto com a defesa será comunicada ao Supremo Tribunal Federal (STF) que irá julgar o pedido de habeas-coprus de Arruda. Porém, disse que ainda não há um documento pronto para ser apresentado e que a palavra dele e de Arruda valem mais que um papel. "A palavra vale mais do que a carta e no momento oportuno se terá o documento correspondente a esse compromisso que a defesa está assumindo."

Prisão

No dia 19 de fevereiro, Arruda foi transferido para uma sala menor e sem banheiro na sede da PF onde está detido em Brasília. O novo "quarto" do governador possui ar condicionado, um beliche, um sofá, uma cama, mas não tem janela e banheiro. Antes, Arruda ficava em uma sala de 40 m², com banheiro privativo, televisão, sofá, mesa com cadeira, banheiro privativo e ar condicionado.

Entenda o caso

O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.