Mega-Sena: funcionária vendeu bolão ao pai, diz advogado

Portal Terra

NOVO HAMBURGO - O pai da funcionária responsável pelos bolões na lotérica Esquina da Sorte, em Novo Hamburgo (RS), comprou uma das 40 cotas colocadas à venda, segundo o advogado do proprietário da lotérica, Marcelo De La Torres Dias. Dezesseis apostadores registraram ocorrência afirmando que acertaram as seis dezenas premiadas no concurso 1.155, o qual, segundo a Caixa Econômica Federal (CEF), não teve vencedores.

Tanto o proprietário da lotérica quanto a funcionária estariam extremamente abalados. - Ela está num estado de saúde lastimável - afirmou Dias.

O advogado reconhece que houve um erro, mas descarta a ocorrência de má-fé ou ato escuso. Para ele, foi "uma terrível fatalidade". Até amanhã, ao meio-dia, ele deverá ter em mãos uma auditoria técnica e jurídica para comprovar que não se trata de estelionato.

Dias disse que a pretensão é reabrir a lotérica até sexta-feira. Para comprovar que não houve dolo ou má-fé, o escritório contratou uma auditoria, que está sendo feita por três advogados e dois contadores, para analisar os documentos e verificar onde ocorreu o erro.

Segundo ele, a auditoria comprovará que a lotérica realmente efetivou a aposta. - Temos os volantes das apostas autenticadas. No entanto, estão em dissonância com os números apostados - explicou.

O delegado Clóvis Nei da Silva, da 2ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo, afirmou que quer conversar com o dono da lotérica até quinta-feira. O advogado do proprietário da casa de apostas disse que, embora o seu cliente ainda não tenha sido notificado pelo delegado, pretende falar com Silva entre hoje e amanhã.

- Tenho visto declarações unilaterais e tendenciosas. A própria Caixa, mesmo tendo aplicado procedimentos administrativos (fechou a lotérica), reconheceu que não houve má-fé ou tentativa de fraude - afirmou o advogado.

Para Dias, o comparecimento do proprietário à delegacia não é prioridade neste momento. - A questão do estelionato vai ser facilmente explicada para a polícia em função da documentação e da própria argumentação - disse.

Após uma reunião na Caixa Econômica Federal (CEF), em Novo Hamburgo, na tarde de segunda-feira, ficou descartada qualquer responsabilidade da Caixa. - Estamos trabalhando com duas falhas: falha humana por parte da funcionária ou falha da gráfica, que elabora os kits dos bolões. Essa gráfica faz serviço particular para dezenas de lotéricas da região metropolitana de Porto Alegre - afirmou o advogado.