Procurador-geral critica 'soluções mágicas' da Câmara do DF

Portal Terra

BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, criticou nesta segunda-feira o que chamou de "soluções mágicas" que a Câmara Legislativa do Distrito Federal está buscando no que seria uma tentativa de se livrar de uma possível intervenção federal.

Na última semana, os parlamentares aprovaram a admissibilidade de pedidos de impeachment contra o governador licenciado, José Roberto Arruda (sem partido), e o governador em exercício, Paulo Octávio (DEM), envolvidos em um suposto esquema de pagamento de propinas conhecido como mensalão do DEM.

- Estão em busca de soluções mágicas. Achar que o andamento de processos ou que cassar dois, três ou quatro parlamentares resolveria a questão na verdade é uma visão simplista e superficial - disse Gurgel. Para o procurador-geral, o problema do Distrito Federal é "bem mais amplo e bem mais profundo e não se resolve com essas medidas".

O escândalo do mensalão do DEM teve início em novembro de 2009. No início de dezembro, os pedidos de impeachment contra Arruda foram apresentados, mas a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa analisou os processos apenas na semana passada. No caso de Paulo Octávio, os pedidos foram protocolados depois que ele assumiu o cargo de governador, com a prisão preventiva de Arruda decretada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

- Meses se passaram sem que a Câmara Distrital tomasse qualquer providência no sentido da tramitação de todos aqueles processos. Agora, de repente, começa com muita rapidez, e até com muito afobamento, a dar andamento aos mesmos processos. Me parece que isso está na superfície e é uma solução simplista - disse.

Gurgel voltou a dizer que considera a intervenção "um remédio drástico", que só foi pedido "porque estamos diante de um dos raríssimos casos em que a Constituição Federal não apenas autoriza, mas impõe que seja decretada".