Economia brasileira é destaque na América Latina

Alana Gandra, Agência Brasil

BRASILIA - É grande o otimismo em relação à recuperação da economia latina-americana frente à crise internacional, de acordo com a Sondagem Econômica da América Latina, divulgada nesta segunda-feira pela Fundação Getulio Vargas. O destaque na região, segundo os especialistas consultados, é o Brasil, que apresentou o melhor Índice de Clima Econômico (ICE), de 7,8 pontos, para uma média regional de 5,6 pontos, numa escala de um a nove, entre outubro do ano passado e janeiro deste ano.

O superintendente de Ciclos Econômicos da FGV, Aloísio Campelo, afirmou que o otimismo é grande em relação aos próximos seis meses. Mas a gente nota que a avaliação sobre a situação atual ainda é desfavorável na maior parte dos países.

O economista da FGV observou que os países mais dependentes dos Estados Unidos, como México, República Dominicana e Costa Rica, estão mais atrás na recuperação. Na Venezuela, o clima é de recessão. Ele disse que há um desânimo do investidor privado, e petróleo - principal produto do país - tem recuperação lenta, porque a exportação depende da retomada do mercado internacional, que está indo devagarzinho .

Na América do Sul, os países que já tinham uma maior solidez no período pré-crise Brasil, Chile, Peru e Uruguai tiveram recuperação mais rápida. O Brasil saiu muito bem, saiu muito rápido realmente e o clima econômico já está bom . Campelo afirmou que no caso brasileiro a própria avaliação sobre a situação atual é boa.

A gente já passou da fase de recuperação do consumo e está entrando na fase de realização de investimento. A maioria dos especialistas diz que os investimentos vão aumentar. Os outros países ainda não chegaram a essa fase, com exceção, talvez, do Chile, que estaria também pensando em expansão [dos investimentos] , comentou.

Segundo Campelo, o cenário favorável traçado para o Brasil seria um chamariz para o investimento. Ele salientou, entretanto, que isso depende da disponibilidade, ou seja, da liquidez internacional. O que precisa é manter os fundamentos macroeconômicos, trazer de volta o equilíbrio fiscal, fazer um esforço para voltar a ter superávits primários mais perto de 4% e não de 2%, que foi o caso de 2009. E, na área de inflação, manter a seriedade.

Isso significa que, se houver um descasamento entre oferta e procura este ano por conta de uma aceleração de demanda interna que a indústria não possa acompanhar, o Banco Central deverá agir e manter uma sintonia fina para que a inflação permaneça próximo da meta, recomendou.

O cenário, frisou Campelo, é virtuoso, a não ser que a gente comece a tomar medidas equivocadas doravante . Com o cenário positivo para investimentos, a expectativa é de geração de empregos no Brasil. Ele informou que, por enquanto, apenas a indústria não retomou o patamar de empregos pré-crise. Já os setores de serviços e comércio apresentam expansão nessa área. E a tendência é continuar com aumento da oferta de empregos nos próximos meses.

A Sondagem Econômica da América Latina de janeiro de 2010 consultou 139 especialistas de 17 países e foi realizada pela FGV em parceria com o Institute for Economic Research da Alemanha.