José Serra e Dilma Rouseff ainda não têm palanque em Brasília

Leandro Mazzini, Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Não que Brasília seja o patinho feio dos estados pela disputas na formação de palanques presidenciais, mas os 1,529 milhão de votos que o Distrito Federal tem não foram atrativos ainda para o PSDB e o PT, os dois principais partidos que vão protagonizar a eleição deste ano. Pesa contra ainda o principal: o escândalo no Governo do Distrito Federal e os personagens que dele emergiram mostram um cenário pouco favorável às duas legendas em se tratando de candidatos.

Tanto que José Serra, o governador de São Paulo e presidenciável que em breve poderá se lançar, e a ministra Dilma Rousseff, que se apresentou oficialmente aos eleitores no sábado, não têm estratégia prioritária para Brasília. Os 1 milhão e meio de votos, uma vez pulverizados entre as prováveis três candidaturas ao governo do Distrito Federal, farão muito pouca diferença ou nenhuma no balanço nacional.

A maior preocupação, a priori, dos dois partidos é saber em quem Dilma e Serra vão colar em Brasília, porque um erro de imagem na capital causará estrago nacional na campanha dos dois. Dilma está em vantagem: tem dois palanques preparados, via PT com o federal Geraldo Magela ou o ex-ministro dos Esportes Agnelo Queiroz e pelo PTB, com o senador Gim Argello, seu mais novo aliado. Tão fiel que Gim, declaradamente candidato e sem aliados oficiais ainda, abre mão da candidatura se Dilma pedir uma coligação dele com o PT. Mas pesa contra Gim denúncias e investigações sobre grilagem de terra nas cidades satélites.

Dentro do ninho petista surgiu um problema: Agnelo, outrora forte, deve sair de cena. Não caiu bem na legenda a notícia de que ele sabia dos vídeos de Durval Barbosa e os assistiu antes de estes vazarem e derrubarem o governador José Roberto Arruda. O PT já pensa em chamar o ex-deputado federal Sigmaringa Seixas, homem próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Roriz

Com o ex-governador e ex-senador Joaquim Roriz não menos enrolado com a Justiça ele renunciou ao cargo no Senado depois de virar alvo em operação da Polícia Civil do DF, num imbróglio milionário sobre partilha de dinheiro do Banco de Brasília o cenário ainda é indefinido sobre a sua candidatura, embora ele apareça forte líder nas pesquisas. Roriz, hoje no PSC, tentou aproximação com Serra. Ofereceu o palanque dele em Brasília. O PSDB, pelo menos por enquanto, descartou. Os tucanos estudam, por hora, ressuscitar o nome de Maria Abadia, sucessora de Roriz e antecessora de Arruda, que passou só oito meses no poder, mas sem problemas judiciais.