Joaquim Roriz: liderança folgada nas pesquisas e um teto de vidro

Vasconcelo Quadros, Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Em franca campanha para voltar pela quarta vez ao governo do Distrito Federal, o ex-governador Joaquim Roriz o mais bem sucedido político com a crise que engoliu seu adversário José Roberto Arruda tem um grande dilema pela frente: evitar que se torne a bola da vez na crise que consome o poder em Brasília. Enquanto amigos e correligionários se dividem sobre os riscos de uma candidatura, com o ego inflado por pesquisas e enquetes, Roriz já se comporta como o pré-candidato do PSC, partido ao qual se filiou no ano passado depois de perder sua antiga legenda, o PMDB, para Arruda.

O risco de que ele venha a sofrer respingos é zero. Roriz é candidatíssimo garante o jornalista Paulo Fona, assessor de comunicação de Roriz. Segundo ele, Arruda cometeu um erro gravíssimo ao tentar envolver o governo de Roriz em denúncias que haviam sido assumidas integralmente pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa. Segundo ele, Roriz não articulou as denúncias.

As duas últimas pesquisas, uma do Vox-Populi e a outra do Datafolha, mostram que o ex-governador tem, respectivamente, entre 48% e 49% e 42% a 48%, da preferência do eleitorado. A musculatura vem justamente do naco retirado de seu adversário, José Roberto Arruda, e é suficiente para que Roriz vença a eleição no primeiro turno.

A decisão de se candidatar ou não é uma avaliação que só ele pode fazer. O partido dará total e integral apoio diz o deputado Hugo Leal (PSC-RJ). Sobre a hipótese de o escândalo respingar em Roriz, Leal acha que a vida pública tem ônus e bônus e que é normal que numa campanha eleitoral surjam denúncias contra candidatos. Frisa, no entanto, que até agora não viu nada que possa atingir Roriz.

O ex-governador vem se comportando como pré-candidato. No site de Roriz (www.joaquimroriz.com.br) uma enquete, feita com a parcialidade que caracteriza esse tipo de consulta, mostra que ele seria o próximo governador, com 73,8 %, seguido do ex-ministro Agnelo Queiroz (10,4%) e do deputado Geraldo Magela (8%), ambos do PT. Os adversários reconhecem que Roriz tem força política, mesmo que seu perfil de coronel do cerrado e o estilo clientelista de cativar eleitores, não sejam os métodos mais recomendados numa democracia.

Espero que Roriz não seja candidato. É hora de renovar a política do Distrito Federal. Eu mesmo estou dando minha contribuição garantindo que não serei candidato ao governo diz o senador Cristóvam Buarque (PDT-DF), histórico adversário de Roriz e um dos que reconhecem a força política do ex-governador. Buarque lamenta que a atual legislação não ampare candidaturas avulsas, o que, segundo ele, permitiria o surgimento de um nome que possa construir um pacto para mudar radicalmente a política distrital.