Cláudia Andrade, Portal Terra
BRASÍLIA - A Câmara Legislativa do Distrito Federal elegeu nesta terça-feira o deputado Wilson Lima (PR) como novo presidente da Casa. Lima venceu a disputa com o vice-presidente, Cabo Patrício (PT), por 15 votos a sete. Houve uma ausência e uma abstenção. O novo presidente é aliado do governador José Roberto Arruda (sem partido) e deverá decidir sobre a posse dos suplentes de oito deputados distritais afastados da tramitação dos pedidos de impeachment contra o governador. Os deputados são suspeitos de receberem propina na análise dos pedidos de afastamento.
O novo presidente deverá recorrer contra a determinação da Justiça do DF de dar posse aos suplentes, com o argumento de que os gastos extras com esses parlamentares iriam contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. A convocação dos suplentes deverá ocorrer durante a votação dos pedidos de afastamento, aumentando de 24 para 32 o total de parlamentares. O presidente interino já solicitou crédito adicional de R$ 613 mil para pagar as despesas com os suplentes, que terão direito à remuneração mensal de R$ 12,4 mil, além de 14º e 15º salários.
A decisão da Justiça de afastar os oito deputados ocorreu depois da frustrada tentativa de eleger o novo presidente na última semana. Após a leitura da nota de um blog afirmando que o governador estaria oferecendo dinheiros à base aliada para arquivarem os pedidos de impeachment, houve manifestações a favor e contra Arruda. A sessão terminou com o adiamento da eleição, decidida pelo presidente interino, que alegou motivo de "foro íntimo". Em nota, os advogados do governador classificaram a denúncia de "caluniosa".
Entenda o caso
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.
O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".
As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.