Coronel da Operação Condor é extraditado

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O coronel reformado uruguaio Manuel Cordero, 71, acusado de integrar a Operação Condor _ como ficou conhecida a articulação entre as ditaduras da América Latina na década de 70 _, foi entregue ontem às autoridades argentinas pela Polícia Federal. Ele recebeu autorização para viajar depois de ser submetido a exames médicos em Santana do Livramento (RS), onde estava internado.

De manhã, Cordero foi levado para Uruguaiana, na fronteira com a Argentina, onde passou por um novo exame antes de seguir para Buenos Aires. A viagem até Uruguaiana foi realizada em uma UTI móvel escoltada pela Polícia Federal.

A extradição de Cordero foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto de 2009, mas sua transferência estava suspensa por razões médicas. Na última terça-feira, o processo foi reativado e, ao ser detido pela PF em Santana do Livramento --onde vivia desde 2004-- ele teve de ser hospitalizado ao relatar problemas cardíacos.

O coronel reformado é acusado de crimes cometidos durante a última ditadura da Argentina (1976-1983), como oficial ativo da Operação Condor. Ela atuava num dos centros de tortura usados por militares e policiais em Buenos Aires.

Ele é suspeito de sequestrar um bebê com 20 dias de vida, filho de uma militante detida ilegalmente durante a ditadura. Também responde por 11 ativistas de esquerda desaparecidos.