Sobe para cinco o número de mortos devido ao temporal em SP

JB Online

SÃO PAULO - O forte temporal que atingiu a cidade de São Paulo na madrugada desta quinta-feira assustou os moradores, causou cinco mortes, bloqueou as duas marginais e transbordou o Rio Tietê, além de mais cinco córregos. Por causa de pontos de alagamentos, as marginais Tietê e Pinheiros estavam totalmente paradas no início da manhã.

Às 10h50, a Marginal Tietê saiu do estado de alerta, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), e as demais regiões da cidade permaneciam em observação. Os bairros do Butantã, Campo Limpo, Ipiranga e Aricanduva também chegaram a ficar em alerta durante a madrugada.

Desabamentos provocados por deslizamentos de terra mataram cinco pessoas, uma na vila Anglo-Brasileira, uma na Lapa e três no ABC paulista. Duas pessoas estão desaparecidas por causa dos soterramentos. As chuvas que atingem São Paulo desde o final do ano passado já fizeram 55 vítimas. Saiba abaixo como as chuvas complicam a vida dos paulistanos:

Mortes

Durante a madrugada, o Corpo de Bombeiros confirmou que um idoso morreu soterrado na vila Anglo-Brasileira, devido ao desabamento de sua casa. Segundo o coronel Jair Paca de Lima, da Defesa Civil, uma criança morreu no desabamento de uma casa sobre outra no Grajaú. Uma mulher e três crianças foram resgatadas pelos bombeiros sob os escombros. Há pelo menos mais um casal entre os desaparecidos.

Em Mauá, no ABC paulista, um desabamento no bairro Chácara Maria Francisca atingiu três pessoas, entre elas uma criança. As vítimas foram socorridas pelo Corpo de Bombeiros e transferidas para um hospital na região. Um dos adultos morreu no caminho. Em outro ocorrência na cidade, uma criança de 3 anos foi socorrida com vida de um deslizamento no bairro Jardim Oratório.

Em Ribeirão Pires, também no ABC, três pessoas foram soterradas por um deslizamento no bairro Santo Bertoldo. Duas meninas, de 14 e oito anos, morreram. Os bombeiros estão no local procurando uma mulher de 30 anos debaixo dos escombros.

Segundo o Corpo de Bombeiros, as zonas sul e oeste foram as mais atingidas pelo temporal. A corporação registrou 62 ocorrências, sendo dez desabamentos. A maioria dos registros apenas de danos materiais.

Metrô e CPTM

Por causa das chuvas, os trens do Metrô circularam com restrição de velocidade até as 8h, mas o serviço foi normalizado. Na Linha 9-Esmeralda (Osasco-Grajaú) e na Linha 10-Turquesa (Luz-Rio Grande da Serra), a operação chegou a ocorrer parcialmente, mas às 9h todas as linhas funcionavam normalmente.

Trânsito

Às 11h15, a cidade tinha 80 km de trânsito lento por causa dos alagamentos causados pelas chuvas, mas às 9h30, chegou a registrar 111 km. Ao todo, eram 29 pontos de alagamentos, sendo que os mais graves estavam localizados nas Marginais Tietê e Pinheiros, que têm pontos de interdição. Alguns túneis, como o Tribunal de Justiça, na avenida Juscelino Kubitschek, que chegou a ter 1 m de água, ficaram interditado durante a madrugada. A cidade chegou a ter 53 pontos de alagamento. De acordo com a Companhia de Engenharia e Tráfego (CET), os motoristas do interior devem evitar a cidade de São Paulo.

A Marginal Tietê estava totalmente interditada às 11h15 na altura da ponte das Bandeiras, sentido Castello Branco. Já a Marginal Pinheiros tinha a pista local bloqueada próximo à ponte do Jaguaré, sentido Interlagos. A avenida Inajar de Souza, altura da rua Mourato de Oliveira, na Freguesia do Ó, estava com os semáforos quebrados. Técnicos da CET monitoravam o trânsito.

De acordo com o morador da zona sul Lúcio Henrique Batistella, o cruzamento da avenida Carlos Caldeira Filho com av. Giovanni Gronchi tem ponto de alagamento. "Não passa nenhum carro e os que tentam passar acabam no meio do caminho", alerta ele.

Veja os pontos de alagamento em São Paulo:

Av. Vinte e Três de Maio - intransitável

Av. Roberto Marinho

Av. Maria Coelho Aguiar com praça Alceu Moroso

Av. Pres. Arthur da Costa e Silva

Complexo Viário Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Av. Moreira Guimarães no viaduto João Julião da Costa Aguiar

Av. Otaviano Alves de Lima

Av. dos Bandeirantes (Moema)

Av. Morumbi com Dr. Chucri Zaidan

Av. Teresa Cristina - intransitável

Av. Dr. Francisco Mesquita (em dois pontos)

Viaduto Grande São Paulo e Av. prof. Luiz Ignario Anhaia Mello

Av. Gastão Vidigal

R. Alvarenga com Afrânio Peixoto - intransitável

R. Romão Gomes

Marginal Tietê, ponte Atílio Fontana

Marginal Tietê com a ponte Aricanduva

Marginal Tietê com ponte das Bandeiras

Av. Santos Dumont ¿ intransitável

Av. Alcântara Machado com viaduto Guadalajara - intransitável

Av. Braz Leme com rua Zanzibar

R. Florida com a Marginal Pinheiros - intransitável

Cebolão

Av. Do Estado (Ipiranga/Santana)

R. Brazelisa Alves de Carvalho

Av. Cruzeiro do Sul com r. Santa Eulália ¿ intransitável

Estradas

A situação também é complicada nas estradas que chegam a São Paulo. A rodovia dos Bandeirantes chegou a registrar 15 km de congestionamento na chegada à capital paulista, mas estava com tráfego livre às 11h15. A rodovia Anhanguera tinha 10 km de trânsito lento perto de São Paulo às 11h15, mas não era possível fazer com que os motoristas fizessem o retorno por causa da mureta de concreto que separa as pistas. A rodovia Catello Branco registrava 7 km de lentidão, reflexo do congestionamento na Marginal Pinheiros.

Já a via Anchieta estava interditada nos dois sentidos entre os quilômetro 13 e 10 às 10h10, no sentido litoral, para limpeza do trecho que alagou durante a madrugada. A pista central norte foi liberada às 8h40. Às 10h10, o trânsito era lento para quem ia à capital do km 12 ao km 10. Na direção contrária, não havia lentidão.

O km 279 da rodovia Régis Bittencourt registrava lentidão às 8h30, devido a um alagamento no trecho do Rodoanel, na altura do km 29. Na rodovia Presidente Dutra, foi registrado 2 km de congestionamento às 11h15 na chegada a São Paulo e a pista expressa foi bloqueada no km 211 devido aos alagamentos da Marginal Tietê. Em Guarulhos, havia 9 km de lentidão por causa do excesso de veículos.

O tráfego na rodovia Ayrton Senna apresentava congestionamento entre os kms 20 e 11, sentido São Paulo, às 10h, devido ao excesso de veículos e problemas na Marginal Tietê. Para quem acessvaa a rodovia sentido Vale do Paraíba, uma opção era seguir pela avenida 23 de Maio e entrar antes da ponte das Bandeiras, sentido Marginal do Tietê, onde encontraria tráfego tranquilo. A rodovia Hélio Smidt estava com tráfego intenso no acesso ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, nos dois sentidos.

Energia elétrica

A Eletropaulo informou que a região entre o Morumbi e o Brooklin foi a mais afetada pela chuva da madrugada e registra pontos sem fornecimento de energia. A falta de luz foi registradas nas imediações das avenidas Engenheiro Luís Carlos Berrini e Chucri Zaidan e das ruas Geraldo Flusino Gomes, Flórida e Chafik Maluf. Equipes trabalham no local, mas devido ao grande número de alagamentos na região a manutenção ocorre mais lentamente e não há previsão de normalização.

Segundo levantamento do Terra, os bairros Moema, na zona sul, e Butantã, na zona oeste, também registraram interrupção no fornecimento de luz nesta manhã. A Eletropaulo afirmou que estava fazendo um levantamento e ainda não tinha informações às 10h15.

Volume da chuva

De acordo com a agência meteorológica Climatempo, as pancadas de chuva que atingiram a capital paulista na madrugada desta quinta-feira (21) foram causadas por um o forte contraste térmico entre o ar quente e úmido com a chegada de um sistema frontal. Em uma hora (entre 2h e 3h) foram acumulados 34 milímetros de chuva no Mirante de Santana (Zona Norte da capital paulista), segundo o Instituto Nacional de Meteorologia.

Até a manhã desta quinta-feira foram acumulados cerca de 310 milímetros de chuva na capital. Com esta marca, o volume total acumulado já supera em cerca de 20% o volume total de chuva normal para um mês de janeiro, que é de 258 milímetros. De acordo com o CGE, os maiores índice pluviométricos da cidade até as 7h foram registrados na Vila Mariana (112 mm), Consolação (101,3 mm), Lapa (98 mm), Ipiranga (89,9 mm) e Pinheiros (79,7 mm).

Ceagesp

O rio Pinheiros alagou a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Segundo funcionários do local, a água, às 8h15, estava com cerca de 1 m no setor de frutas, mas chegou a atingir 1,5 m. As entradas estão tomadas pelas águas e nem caminhões conseguem entrar, o que paralisa os trabalhos. São utilizadas bombas para retirar a água do prédio. Não há previsão de quando a companhia voltará a funcionar.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, afirmou em entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira que as fortes chuvas que atingem a cidade são as grandes culpadas pelos alagamentos registrados nos últimos dias. - O que acontece é em decorrência das fortes chuvas e da impermeabilização da cidade - disse.

De acordo com o prefeito, apesar do caos registrado mais uma vez na cidade de São Paulo, a população pode ficar tranquila, pois os investimentos em obras de drenagem continuarão sendo feitos. - A prova disso é que não tivemos problemas nas regiões dos córregos Pirajussara e Aricanduva - disse. - Hoje há apenas um pequeno problema em uma galeria da região do Aricanduva, mas o reparo será feito no sábado para não atrapalhar o trânsito - acrescentou.

Kassab afirmou que um piscinão transbordou por volta das 9h30 na região de Guaianases, zona leste da cidade. O alagamento, diz o prefeito, aconteceu porque as duas bombas instaladas no local não conseguiram suportar o volume de água. Kassab prometeu enviar novas bombas para o local ainda na manhã desta quinta-feira.

O prefeito justificou o semblante abatido pela falta de sono na madrugada. - Como a situação das chuvas começou ainda ontem, passei a noite em claro acompanhando o que estava acontecendo na cidade - disse ele.

Portal Terra