Avião com corpo de embaixador morto no Haiti chega ao Rio

Portal Terra

RIO - O avião com o corpo do embaixador brasileiro Luiz Carlos da Costa, a segunda maior autoridade civil da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, chegou na base área do Galeão, no Rio de Janeiro, por volta das 10h desta manhã. Costa morreu na terça-feira da semana passada, durante o terremoto de 7 graus na escala Richter que atingiu o Haiti.

Também estavam a bordo do avião a viúva Cristina da Costa, e as duas filhas do embaixador, Ana Maria e Mariana. Eles foram recepcionados pelo comandante da base área Saulo Valadares do Amaral, um representante do Itamaraty e dois da ONU.

Oito fuzileiros navais vão acompanhar o corpo do diplomata até o Palácio do Itamaraty, no centro da capital fluminense. Neste local, haverá uma solenidade de corpo presente em homenagem ao embaixador. A cerimônia está prevista para iniciar assim que o corpo do embaixador chegar ao local.

Após sair do Haiti, o corpo de Costa foi levado para Nova York, onde foi embalsamado. Na sexta-feira, ele deverá voltar à cidade americana onde será enterrado.

Também estão na base aérea do Galeão 13 familiares de quatro militares mortos no terremoto, que embarcarão ainda nesta manhã com destino a Brasília, para acompanhar a solenidade em homenagem aos brasileiros. Após a cerimônia, os familiares devem retornar com os corpos para o Rio de Janeiro, onde serão enterrados.

Segundo homem

Luiz Carlos da Costa tinha o cargo de vice-representante do secretário-geral da ONU no Haiti. Na última quarta-feira, durante uma entrevista coletiva no Itamaraty, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que Costa era o brasileiro que ocupava o mais alto cargo nas Nações Unidas em todo mundo atualmente.

Nascido em 1949, Costa assumiu o cargo no Haiti em novembro de 2005, após ser indicado pelo então secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Antes disso, Costa já havia servido em missões da ONU na Libéria. Ele trabalha nas Nações Unidas desde 1969, de acordo com o site da organização. Ainda de acordo com a ONU, ele tinha duas filhas.

Terremoto

Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti no último dia 12, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos.

Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do país. Estimativas mais recentes do governo haitiano falam em mais de 200 mil mortos e 50 mil corpos já enterrados. O Haiti é o país mais pobre do continente americano.

Morte de brasileiros

A fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Zilda Arns, o diplomata Luiz Carlos da Costa, segunda maior autoridade civil da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, uma menina com nacionalidades brasileira e francesa, adotada por uma família europeia, que não teve nome e idade divulgados, e pelo menos 18 militares brasileiros da missão de paz da ONU morreram durante o terremoto.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e comandantes do Exército chegaram na noite de quarta-feira à base brasileira no país para liderar os trabalhos do contingente militar brasileiro no Haiti. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou que o país enviará até US$ 15 milhões para ajudar a reconstruir o país. Além dos recursos financeiros, o Brasil doará 28 t de alimentos e água para a população do país. A Força Aérea Brasileira (FAB) disponibilizou oito aeronaves de transporte para ajudar as vítimas.

O Brasil no Haiti

O Brasil chefia a missão de paz da ONU no país (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, ou Minustah, na sigla em francês), que conta com cerca de 7 mil integrantes. Segundo o Ministério da Defesa, 1.266 militares brasileiros servem na força. Ao todo, são 1.310 brasileiros no Haiti.

A missão de paz foi criada em 2004, depois que o então presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto durante uma rebelião. Além do prédio da ONU, o prédio da Embaixada Brasileira em Porto Príncipe também ficou danificado, mas segundo o governo, não há vítimas entre os funcionários brasileiros.

Com informações da BBC Brasil