Depois de uma semana, índios desocupam sede da Funai

Agência Brasil

BRASÍLIA - Depois de retirar seus pertences da Fundação Nacional do Índio (Funai) e se preparar para desocupar o prédio, indígenas de várias etnias resolveram continuar em frente à sede da fundação e aguardar a chegada de representantes da Polícia Federal (PF) para negociar a prorrogação do prazo de permanência no local.

Segundo a assessoria de imprensa da Funai, o prazo estipulado pela PF para a saída dos índios terminaria às 17h de hoje (18).

No entanto, até o fechamento desta matéria (19h45), não houve uma ação da PF para garantir que a ordem judicial fosse cumprida.

Os índios estão no local há uma semana, reivindicando mudanças no Decreto 7.056 que, segundo eles, extingue administrações e postos da Funai nos estados e nas aldeias. Na última sexta-feira (15), líderes indígenas, a presidência da Funai e representantes da Polícia Federal se reuniram para negociar a saída pacífica dos índios da área em frente ao prédio.

Na semana passada, o presidente da Funai, Márcio Meira, disse que não havia mudança, apenas uma reestruturação da distribuição das unidades e uma modificação na nomenclatura. Porém, os representantes indígenas alegam que os postos já foram fechados desde o dia em que o decreto entrou em vigor, 4 de janeiro.

Para Carlos Pankararu, o prejuízo de uma ação como essa, é muito grande, porque o posto da Funai dava uma base aos índios no que se refere às questões de saúde e educação. "Acaba o desenvolvimento e a estrutura da aldeia", disse Pandararu, representante de uma tribo de Pernambuco.

Os índios decidiram continuar com as manifestações contra o decreto e avisam que poderão até mesmo reocupar o prédio, se não for revogado o decreto, que deve ser sancionado quinta-feira (21) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.