Há 25 anos, Tancredo atingiu 70% do apoio popular em eleição

Portal Terra

SÃO PAULO - Três horas e 27 minutos foi o tempo em que o Colégio Eleitoral levou para eleger Tancredo. Em vez dos 60 milhões de eleitores estimados, 686 deputados e senadores formaram o Colégio Eleitoral encarregado de acabar com o autoritarismo no Brasil.

Tancredo começou a articular a própria candidatura logo depois da derrota da Emenda Dante de Oliveira, das Diretas Já, em abril de 1984. O primeiro objetivo foi disputar a primazia de ser o candidato oposicionista com Ulysses Guimarães, que já manifestara a disposição de disputar a eleição indireta. No entanto, Ulysses tinha a resistência do governo, que o considerava um radical - mais ainda em comparação com Tancredo.

Como se tratava de uma transição negociada, o medo da reação dos militares beneficiou a candidatura de Tancredo. Todos os governadores peemedebistas e as principais lideranças do partido ficaram com Tancredo.

Lançada a campanha, o objetivo foi conquistar não apenas o apoio do Colégio Eleitoral como da própria população. Ao longo dos meses, o apoio popular à eleição de Tancredo ficou na faixa de 60 e 70% enquanto Maluf oscilava próximo dos 20% (o restante era de indecisos e nulos).

Havia o problema de que todos os votos da oposição somavam 330, contra 356 do PDS sozinho.

No PDS, havia vários aspirantes à sucessão presidencial. Muitos nomes foram cogitados: o do senador pernambucano Marco Maciel, o do ex-ministro militar José Costa Cavalcanti, o do ministro Hélio Beltrão, o do governador da Bahia Antônio Carlos Magalhães, o do ministro da Educação Rubem Ludwig, entre outros. Entretanto, os principais candidatos à convenção pedessista eram o vice-presidente da República, Aureliano Chaves, o ministro do Interior, Mário Andreazza, e o ex-governador de São Paulo e deputado federal, Paulo Maluf.

Aureliano era um político popular, mas sem a confiança dos militares e de parte do PDS ligada ao então presidente João Figueiredo. Havia apoiado as diretas e gerado ressentimentos dentro do governo por sua atuação nas duas vezes em que assumiu o poder, substituindo Figueiredo, em 1981 e 1983.

Mário Andreazza, outro candidato forte e que havia participado de quatro dos cinco governos militares, tinha contra ele as suspeitas de corrupção em seu ministério, consideradas inaceitáveis pelos militares. Assim o caminho foi se abrindo para Paulo Maluf.

Maluf foi o candidato do governo militar, mas dividiu o PDS. Uma ala do partido, comandada por José Sarney, então presidente do PDS, já que não conseguiu impedir sua candidatura, resolveu não apoiar Maluf, formando a Frente Liberal, que apoiou Tancredo. O nome de maior destaque era Aureliano Chaves, mas também faziam parte José Sarney, Marco Maciel e Antonio Carlos Magalhães, que chamava o ex-governador de São Paulo de "o homem mais odiado do Brasil". "Malufar" virou, na época, um adjetivo negativo. A Frente Liberal foi o embrião do PFL, atual DEM.

Sarney, o candidato a vice de Tancredo, foi indicado pelos dissidentes do PDS. A escolha de Sarney deu-se principalmente por dois motivos: o primeiro, de caráter legal, uma vez que era vedado a um parlamentar sair de um partido e concorrer na legenda de outro numa mesma legislatura. Sarney não incorria nessa ilegalidade, pois tinha sido eleito senador pela Arena em 1978, portanto antes do surgimento do PDS e da legislação partidária em vigor na época.

Tancredo nunca foi um político popular. Apesar das posições de destaque que ocupou por décadas, sempre teve votações fracas. No caso da eleição de 1985, seu nome inicialmente era considerado um mal menor pelos militares e sem apelo junto à população. A conquista do apoio popular foi lenta e muito mais fruto da rejeição a Maluf do que um entusiasmo puro pelo candidato.