OAB: exemplo da Argentina ao abrir arquivos deveria ser seguido

JB Online

BRASÍLIA - O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, afirmou nesta quinta-feira que a decisão da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, de abrir os arquivos confidenciais referentes à atuação das Forças Armadas durante o período da ditadura militar naquele país (1976-1983), "deve servir de exemplo a todos aqueles que defendem a democracia e o direito à memória e à história". Cezar Britto disse que "a OAB espera que o Brasil siga corajosamente o exemplo da Argentina".

No Brasil, a expectativa é de que na próxima semana, quando retorna das férias, o presidente Lula deverá decidir sobre o decreto de criação da Comissão de Verdade para investigar casos de desrespeito a direitos humanos e os arquivos no período da ditadura (1964-1985), fato que enfrenta oposição do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e dos comandantes militares das três Armas. Eles teriam, inclusive, ameaçado renunciar, recentemente, num gesto contra o decreto assinado por Lula criando a Comissão da Verdade.

- A pressão sobre a nossa história deve ser exclusivamente aquela escrita na Constituição democrática, jamais a imposta por forças ocultas - destacou Britto.

- A Argentina, que sofrera uma ditadura sanguinária, compreendeu corajosamente que o único meio de evitar a repetição do passado é contando a história de verdade - salientou o presidente nacional da OAB ao elogiar a determinação de Cristina Kirchner de desbloquear os arquivos sobre o que aconteceu nos anos de chumbo dos governos militares, exceto da Guerra das Malvinas.

- O direito à memória e à verdade deve ser assegurado pelo Estado, jamais deve ser dilapidado pela lógica do medo ou da clandestinidade -sustentou Britto.