Morre Erasmo Dias, militar que comandou invasão da PUC

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O corpo do ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo Erasmo Dias, que morreu aos 85 anos na noite de segunda-feira, foi velado terça-feira na Assembleia Legislativa de São Paulo e levado em seguida para a cidade de Santos, no litoral sul, onde foi enterrado. Um dos maiores expoentes da repressão política promovida durante a ditadura militar (1964-1985), Erasmo Dias ficou famoso por comandar a invasão da PUC de São Paulo, em setembro de 1977, durante um violento confronto das forças de segurança com estudantes e ativistas políticos que tentavam reorganizar a União Nacional dos Estudantes.

De acordo com o Hospital do Câncer A.C. Camargo, Dias estava internado desde o dia 2 de janeiro abatido por um câncer no estômago e no fígado. Dias serviu ao Exército por 35 anos e foi secretário da Segurança Pública de São Paulo entre março de 1974 e março de 1979, período em que se consolidou como uma das principais figuras públicas da linha de frente da ditadura. Foi um dos fundadores da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime militar, e com a redemocratização ocupou cargos de deputado estadual, federal e vereador pelo Partido Progressista (PP).

Em diversas ocasiões, o militar disse que ele e sua família eram perseguidos pelos críticos do regime militar após o retorno da democracia e que havia sido transformado numa espécie de réu eterno por ter comandado a invasão do prédio da PUC.

Enquanto exerceu a vida pública, Dias manteve a coerência ideológica autoritária, jamais se esquivando de defender o regime militar ou de disparar críticas aos que entendia eram comunistas. O militar, por exemplo, nunca aceitou o pagamento de benefícios governamentais aos perseguidos pela ditadura. Segundo ele, os militantes que optaram pela luta armada contra a ditadura o fizeram por opção consciente e também estavam dedicados, tal como os militares, a uma batalha política feroz e suas consequências. (Com agências)