Relator diz que explicações de deputado do DF são simplistas

Keila Santana, Portal Terra

BRASÍLIA - O relator do processo de expulsão do DEM contra o deputado Leonardo Prudente, Lindberg Cury, disse nesta quarta-feira que é contraditória a defesa apresentada pelo parlamentar à direção regional do partido. Segundo Cury, as explicações de Prudente são muito simplistas para a acusação de receber propina do esquema que ficou conhecido como mensalão do DF e guardar o dinheiro no paletó e meias.

- Ao examinarmos, a defesa não é muito complexa e com ajuda do advogado nós fizemos o relatório que será apresentado hoje na reunião da executiva regional - disse.

Lindberg levou 40 minutos para elaborar o parecer do processo de expulsão, mas evitou confirmar se a recomendação dele será pela saída de Leonardo Prudente do partido. O deputado apresentou 14 páginas de justificativas nas quais alegou cerceamento por não ter tido acesso aos vídeos em que apareceria recebendo dinheiro - um em que ele guarda dinheiro na meia e outro onde faz uma oração junto com o também deputado distrital Júnior Brunelli em que supostamente agradeceria a propina entregue pelo ex-secretário Durval Barbosa, delator do esquema.

Segundo o secretário-geral do DEM-DF, Flávio Couri, que fez o pedido de expulsão de Prudente, a defesa se contradiz quando o deputado transcreve a oração e afirma que não estava fazendo mal algum.

- Ao mesmo tempo que ele afirma que não teve acesso às imagens, ele transcreve as fitas e o relator levou isso em consideração. Ele cita o trecho da oração alegando que não houve intenção de prejudicar quem quer que seja e alega que foi num momento de muita fé - disse.

Apesar do relatório estar pronto e sinalizar a recomendação de expulsão de Leonardo Prudente, não há expectativa de quorum para a leitura e votação do parecer. O comando do partido só conseguiu a confirmação de nove dos 21 integrantes, sendo que o mínimo para abrir a sessão são 11.

- Estamos esperando que esse quorum exista porque é uma matéria que tem profundidade para o partido. A sociedade tem exigido uma solução rápida, inclusive o diretório nacional - disse Lindberg.

Entenda o caso

O mensalão do governo do DF é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.