DEM dá ultimato para análise de expulsão de deputado

Keila Santana , Portal Terra

BRASÍLIA - A cúpula nacional do partido Democratas (DEM) deu ultimato para o diretório regional do partido concluir o processo de expulsão do presidente licenciado da Câmara Legislativa, deputado distrital Leonardo Prudente (DEM). O comando partidário determinou que a análise do processo termine na próxima quarta-feira. A direção regional do DEM marcou somente para o dia 10 de janeiro o julgamento do caso.

O deputado Leonardo Prudente foi afastado da presidência da Câmara Legislativa depois de aparecer em um dos vídeos gravados pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, guardando dinheiro nas meias. A propina seria parte do suposto mensalão pago pelo governador do DF, José Roberto Arruda (sem partido), para a base aliada no parlamento local.

Se o diretório regional não concluir o pedido de expulsão nesta semana, haverá intervenção da Executiva Nacional do DEM. O presidente da legenda, deputado Rodrigo Maia (RJ), se reuniu hoje com o líder do partido no Senado, Agripino Maia (RN), e com o líder na Câmara, deputado Ronaldo Caiado (GO). "Foi uma conversa clara, estabelecendo que esta questão precisa ser resolvida até o dia 23. Se não houver um posicionamento, a Executiva avocará para si esse processo", disse Agripino.

O secretário-geral do DEM em Brasília, Flávio Cury, afirmou que vai convocar a Executiva regional para esta terça-feira e realizar o julgamento de Leonardo Prudente. Cury justificou o adiamento do processo de expulsão por temer um esvaziamento da reunião por conta das festas de fim de ano. "Estou fazendo uma nova consulta e pretendo avaliar o quorum. Vamos fazer o que for possível para resolver logo essa questão, mas Brasília vive um momento atípico nesta época do ano, quando muitas pessoas viajam", afirmou.

Os líderes do DEM, no entanto, continuam preservando o vice-governador, Paulo Octávio (DEM). O argumento é de que não há provas materiais contra ele, pois não há vídeos ou conversas gravadas diretamente com o vice. O comando nacional e local do partido analisaram as novas acusações de Durval Barbosa, delator do esquema, contra o vice-governador, mas mantiveram o apoio a Paulo Octávio.

Agripino comparou a situação de Paulo Octávio à do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que também é citado como beneficiário do esquema, mas na voz de terceiros, sem imagens ou documentos para comprovar a ligação. "Não há provas claras. Ele está na mesma situação que a do presidente do PMDB", disse.

O secretário-geral do DEM-DF negou que a estratégia do partido seja a de preservar o vice-governador para ter o nome dele como alternativa para as eleições de 2010, já que José Roberto Arruda não poderá mais disputar a reeleição. "Os vídeos são fortes. São imagens, mostrando políticos recebendo dinheiro. Agora, não podemos ser precipitados e condenar alguém sem uma prova, um indício mais forte. Nos depoimentos, pode ser apenas retaliação", disse.