Vem aí a Transbaixada, diz Pezão em entrevista ao JB

Leandro Mazzini, Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O Rio vai ganhar a Transbaixada, de 23km, ligando duas rodovias, revela o vice-governador e secretário de Obras, Luiz Fernando Pezão, em entrevista ao JB. Ele reforça que estancou os gargalos do PAC e que haverá inagurações todos os meses a partir de janeiro. Com trânsito entre o governador Cabral e o presidente Lula, o mestre de obras do Rio também bate uma estaca política: Não tenho dúvida de que o PT e o PMDB estarão juntos no palanque. É o que Lula quer .

As obras do PAC no Rio estão avançadas?

Amanhã de manhã vamos entregar uma biblioteca muito moderna, muito bonita, que vai ter também cinema, no Lins (Zona Norte do Rio), que tinha sido abandonada pelo Exército. Todos os meses, de agora para a frente, vamos ter obras para serem entregues, tanto no Alemão, quanto em Manguinhos, Pavão-Pavãozinho e Rocinha.

Estão no cronograma?

As obras de favelas, sim, estão indo bem. No saneamento estão pegando um ritmo maior. É claro que a chuva tem atrapalhado um pouco, e o Arco Metropolitano, acredito que vamos avançar muito ano que vem, porque as questões de desapropriação e a parte ambiental avançaram muito, e queremos dar um arranque muito forte no arco em 2010.

Sobre o arco esperava-se que as obras estivessem mais avançadas. O entrave foi ambiental ou nessa questão da indenização?

Não foi indenização, foi todo um complexo. Primeiro, não existia projeto, então tivemos que fazer o projeto básico. Depois o projeto executivo, bem detalhado. E quando você vai para campo, você se depara com muitas dificuldades. São 3.830 desapropriações, tem a questão ambiental muito forte: já foram encontrados 28 sítios arqueológicos. Os grupos dos sítios vão fazendo essas prospecções e nós vamos isolando áreas. É um trabalho demorado.

Mas isso muda o trajeto?

Não, não. Preserva. Os técnicos do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) têm que tirar o que eles encontram, é um trabalho minucioso, mas isso é da natureza e temos que aceitar. Acho que a obra pega um ritmo muito forte a partir de janeiro, se a chuva não atrapalhar.

O governo federal já começou a pagar as indenizações de desapropriações para o Arco?

Já pagamos muitas. Acredito que já chegamos perto de R$ 40 milhões pagos em desapropriações.

Quando o Arco pode ser entregue?

Acredito que no fim de 2011, se pegar um ritmo muito bom em 2010. Mas nós estamos colocando força no preço do lote 4, que é um lote que liga parte da Via Dutra até o Porto de Itaguaí. Queremos ver inaugurado nesse ano de 2010. Estamos dando prioridade a esse lote, que é um lote importante.

Qual é a cara do PAC do Rio hoje?

Todas elas são muito importantes. Todas têm um simbolismo muito forte: o saneamento da Baía de Guanabara, por exemplo. Entre empréstimos e recursos nossos, são quase R$ 3 bilhões investidos em saneamento, que é muito importante para o meio ambiente e para a Baía. As obras de favelas quebram um tabu de que não se entrava nesses locais e estamos entrando pesadamente com as UPAs (Unidade de Pronto Atendimento) na saúde, com educação, com bibliotecas, teatros, cinemas, apartamentos. Então estamos fazendo o dever de casa. Agora, o Arco é uma obra importantíssima para o Rio e para o Brasil, porque vai ligar o Comperj, lá no em Itaboraí, ao Porto de Itaguaí. Todas as obras são muito importantes e temos uma série de obras a serem iniciadas agora em 2010, que vão impactar muito a região metropolitana, o interior do estado, a Baixada Fluminense e a cidade do Rio.

O que pode aparecer para a Baixada Fluminense?

Na sexta-feira receberemos a licença ambiental de um projeto importantíssimo, que é a ligação da Via Light (na Baixada fluminense) à Avenida Brasil, uma obra que tem dois túneis e sete viadutos. A obra vai viabilizar muito a Via Light e desafogar a Via Dutra. Temos um projeto em fase do conclusão na Coppe (Instituto de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia da UFRJ), que vamos apresentar ao presidente Lula nesta segunda: é a ligação da Rodovia Presidente Dutra à BR-040, a Rio-Petrópolis, pela margem do Rio Sarapuí, de um lado e do outro, desocupando essas beiradas de rio. Estamos a batizando de Transbaixada. Vamos pleitear os recursos com o presidente Lula no PAC da Mobilidade Social, para realizarmos essa obra.

Quanto isso demandaria?

A Coppe está terminando o projeto e a deve ficar entre R$ 200 e

R$ 230 milhões. Se não me engano são 23 quilômetros. De um lado e do outro, ela cortará cinco municípios. Será às margens do rio, onde só existem ocupações desordenadas. Essas chuvas recentes, por exemplo, alagaram tudo.

O PAC no Rio, hoje, tem algum entrave?

Hoje não temos mais entraves nenhum. Quanto a essa questão, por exemplo, de sítios arqueológicos, é um negócio muito forte, porque cada hora que você entra com a máquina para fazer a terraplenagem aparece um sítio desses, e você tem que parar, tem que pegar esse local e deixar ele separado para obra. É sempre uma preocupação.

Licenciamento ambiental não é mais problema?

Não, agora está bem adiantado, ainda estamos esperando a perereca, que até o fim de fevereiro deve terminar o namoro dela, e aí a gente arranca (a terra) bem forte naquele trecho. É o trecho entre a Via Dutra e a antiga Rio-São Paulo, onde tem uma floresta de eucaliptos.

O que o Rio pode esperar do PAC até 2010, além dessas que o senhor já citou?

Essas obras são muito importantes: as obras de favelas. Temos realizado bons projetos, usamos muito os arquitetos, usamos as universidades para desenvolver diversos projetos para outro PAC. Vamos apresentar agora, na inscrição do PAC 2, mais de 10 favelas já com projetos bem detalhados, onde vamos poder, acredito, continuar com esse sonho de fazer urbanização de favelase.

O senhor andou conversando com o Lindberg Farias, do PT. Como está a questão dessa aliança do PMDB com o PT no Rio para 2010? Haverá acordo?

O Lindberg sempre foi um grande amigo meu, de muitos anos. Nós nos damos muito bem. É uma liderança emergente do PT, é inegável o seu carisma, e é um grande político, e eu tenho certeza de que ele vai se firmar naturalmente com o andar dos anos. Mas sem dúvida a aliança PMDB-PT vai sair no Rio porque é um desejo do presidente Lula.

E da ministra Dilma Rousseff, a candidata...

O presidente Lula tem reiterado, colocado isso. O carinho, a amizade que ele tem hoje pelo governador Sérgio Cabral vai ser importante até para a questão nacional. O Rio é muito forte a nível nacional. Se der certo no Rio, pode dar certo no Brasil todo.

O Rio é um dos poucos estados do país que tem uma chapa puro sangue. O senhor abriria mão da vice em prol dessa aliança com o PT?

Eu já comentei isso com o governador Sérgio Cabral mas ele não quer nem que eu fale mais sobre isso. Ele não aceita, em hipótese nenhuma, essa separação. Mas sempre me coloquei à disposição, estou para ajudá-lo, o que for para o PMDB, o que for melhor para ele, eu vou fazer.

(colaborou João Batista de Araújo)