Pesquisa: 5 a cada mil jovens brasileiros morrerão antes dos 24 anos

Jornal do Brasil

SÃO PAULO - Estudo coordenado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e apresentado terça-feira em São Paulo mostra que a cada mil jovens brasileiros, cinco morrerão assassinados antes dos 24 anos. Os jovens com idades entre 19 e 24 anos são as principais vitimas da violência no Brasil. De acordo com a pesquisa, essa faixa etária é que enfrenta os maiores riscos de perder vidas por causa da violência letal . Na faixa de 12 a 18 anos, a estimativa é que 2,38 jovens morram antes de completarem 18 anos. Entre jovens adultos, de 25 a 29, a expectativa de morte é de 3,73 jovens entre mil.

A pesquisa foi realizada nos 266 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, classificados de acordo com o Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ). Usando metodologia criada pelo Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), o estudo mostrou ainda que há uma relação direta entre a violência e participação no mercado de trabalho e escolaridade. De acordo com o Fórum, os jovens que não realizam funções remuneradas e não estudam formam o grupo mais suscetível a ser vitima da violência. O indicador também confirma que os que residem em domicílios com assentamentos precários, caso de favelas, são os mais expostos à violência, assim como as cidades com menor índice de investimentos.

Na prática, constata-se que nas cidades onde a vulnerabilidade juvenil é muito alta a despesa realizada em segurança pública, em 2006, foi de R$ 3.764 por mil habitantes, enquanto os municípios com incidência baixa do índice aplicaram R$ 14.450 por mil habitantes , destacou o Fórum.

Outro dado sobre a relação entre juventude e violência apresentado terça-feira é o de que 55% dos jovens brasileiros afirmou já ter visto corpos de pessoas assassinadas. Além disso, 31% afirmou que tem facilidade para adquirir arma de fogo e 11% afirmou ver com frequência violência praticada por policiais.

Ainda que sejam jovens e, naturalmente, possam cometer algum exagero na entrevista, trata-se de uma quantificação demasiadamente elevada e, óbvio, muito preocupante afirmou o secretário-geral do Fórum, Renato Sérgio de Lima. A identificação do grau de violência a que os jovens são expostos é a primeira parte do Projeto Juventude e Prevenção da Violência promovido em 13 Estados brasileiros. Nesses locais ainda serão desenvolvidos programas de prevenção, organização de seminários de discussão com gestores, e elaboração de cartilhas para atuação em projetos de prevenção.

A partir dessas informações inéditas, o poder público, em todas as suas instâncias, passa a contar com um poderoso e sólido instrumento de auxílio para a definição de políticas de segurança pública voltadas à preservação dos jovens brasileiros acrescentou o presidente do Conselho de Administração do Fórum, Humberto Vianna.

Dez municípios de um total de 266 com mais de 100 mil habitantes foram considerados os principais no país em risco de violência que pode levar à morte jovens de 19 a 24 anos de idade. Ao contrário do que o senso comum poderia imaginar, elas estão fora do eixo Rio-São Paulo. São elas: Itabuna, Camaçari e Teixeira de Freitas, na Bahia; Cabo de Santo Agostinho e Joboatão dos Guararapes, em Pernambuco; Serra e Linhares, no Espírito Santo, além de Marabá (PA), Foz do Iguaçu (PR) e Governador Valadares (MG).

A pesquisa derruba determinados mitos, como por exemplo o de que a situação mais vulnerável é a do Rio de Janeiro. A gente tem essa impressão, mas não é observou o ministro da Justiça, Tarso Genro, que participou da divulgação do levantamento. Sem menosprezar a gravidade da violência no Rio, ele disse que a questão mais grave está em áreas do Nordeste, onde existem indicadores sociais baixos, com pouca aplicação de recursos em segurança pública e poucas políticas preventivas. Tarso destacou, porém, que agora isso pode começar a mudar com a adesão de dezenas de cidades dessa região ao Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). Podemos vencer a violência e a criminalidade concentrando-nos na juventude e com foco territorial e em determinados setores sociais mais vulneráveis.

A pesquisa também detectou os municípios com menor índice de vulnerabilidade dos jovens: São Carlos, Bauru, Franca e São Caetano do Sul, em São Paulo; Juiz de Fora, Poços de Caldas e Divinópolis, em Minas; Bento Gonçalves (RS), Jaguará do Sul (SC) e Petrópolis (RJ). (Com agências)