Médico diz que Battisti não deve viajar para audiência no Rio

Portal Terra

DA REDAÇÃO - O médico José Souza Flávio, da penitenciária da Papuda, em Brasília, não autorizou que o ex-ativista italiano Cesare Battisti viaje para participar da audiência de um processo a que responde por falsidade ideolígica, no Rio de Janeiro. Flávio afirma, em boletim de saúde divulgado nesta segunda feira, que o estado de saúde do italiano é "frágil" por causa da greve de fome que o estrangeiro iniciou há dez dias.

Battisti, ex-ativista do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), foi condenado à prisão perpétua na Itália em 1983 por supostamente ter coordenado o assassinato de quatro pessoas entre 1977 e 1979. Ele foi preso em março de 2007 no Rio de Janeiro e o governo italiano pediu sua extradição em maio do mesmo ano. Sob o argumento de "fundado temor de perseguição", o ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu status de refugiado político ao italiano em janeiro.

O Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) havia dado parecer contrário ao refúgio. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a extradição de Battisti por maioria, mas deixou a palavra final para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Apesar da greve de fome, o médico da penitenciária informou que Battisti está com sinais vitais normais. No fim do boletim, Flávio afirma não ter aconselhado o deslocamento para "não agravar seu estado de saúde".

Na prática, o processo a que Battisti responde no Rio de Janeiro, por ter entrado no País com documentos falsos, pode atrasar o processo de extradição. A legislação brasileira proíbe a extradição de pessoas que respondam a processos no País.