Em Cuiabá, chapa inscreve militante morto para eleição do PT

Juliana Michaela, Portal Terra

CUIABÁ - No pleito eleitoral para o diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) em Cuiabá, em Mato Grosso, Raimundo Cerqueira, militante morto há dois anos, teve suas contribuições pagas e foi inscrito para compor a chapa "Para construir uma Nova Cuiabá". Com a descoberta, o candidato à reeleição ao diretório municipal, Vilson Aguiar, da chapa "Esquerda Socialista" entrou com um recurso no diretório nacional. A chapa "Para construir uma nova Cuiabá" participa das eleições neste domingo e o recurso poderá ser julgado entre os dias 07 a 12 de dezembro.

"Nós entramos com recurso porque ele (Raimundo Cerqueira) já tinha falecido e participava da chapa para o diretório municipal de Cuiabá. Eles entraram com recurso e estão participando da eleição por liminar", disse Vilson Aguiar. Outra reclamação da chapa "Esquerda Socialista" é o pagamento da contribuição de 190 filiados.

O candidato à presidência do Diretório Municipal e da chapa "Para Construir uma Nova Cuiabá", Cido Mendonça, não soube dar explicações de como ocorreu a inclusão de um militante falecido. "Ninguém em sã consciência vai indicar uma liderança morta, até porque a pessoa precisa auxiliar no processo eleitoral. Não sei como isso ocorreu, mas entramos com recurso de defesa", disse.

No último Processo de Eleições Diretas (PED) a diferença de votos entre Vilson Aguiar e Cido Mendonça foi de 19 votos. Existe a possibilidade de haver segundo turno.

A chapa "Esquerda Socialista" é apoiada pela senadora Serys Slhessarenko, enquanto a outra é sustentada pelo deputado federal Carlos Abicalil, que é candidato à reeleição ao diretório estadual.

Estão aptos para votar no diretório municipal em Cuiabá cerca de 5 mil filiados, no entanto, até o momento votaram 1.625. A pouca presença nas urnas, segundo membros que atuam na urna no diretório municipal, é devido ao concurso público estadual cancelado, que ocorreria neste domingo.

Candidatura ao governo

As duas lideranças de destaque em Mato Grosso, a senadora Serys Slhessanrenko e o deputado federal Carlos Abicalil foram unanimes ao dizer que ainda é cedo para afirmar se o PT terá candidato próprio ao governo ou irá se coligar com algum partido da base aliada.

Sobre uma aliança com o Silval Barbosa (PMDB), que é o candidato do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), Serys falou que é possível já que Barbosa faz parte da base aliada como o governador. "É possível aliança como é possível ter um candidato próprio. Abicalil, por exemplo, é um bom candidato ao governo. Tudo depende de decisão do partido, se vai ter candidato próprio ou não", disse Serys. Ela salientou que é candidata a reeleição.

Questionada se haveria a possibilidade de uma disputa entre ela e Carlos Abicalil para o Senado, Serys disse que o deputado federal ainda não comentou se deseja ser candidato. "Ele nunca colocou para mim ou para o partido que tem intenção de ser senador".

O deputado Carlos Abicalil afirmou que o partido irá prosseguir o diálogo como vem fazendo com o PR, PMDB, PSB, entre outros. Abicalil disse que ainda não há uma decisão sobre uma possível candidatura ao Senado, pois ela deve ser tomada junto ao partido.

Sobre a presença da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, como candidata à Presidência da República pelo PT, tanto Serys como o deputado foram unanimes em dizer que ela é a candidata do partido e que não existe outro nome. "Com a popularidade que o presidente Lula vem mantendo, é um sinal que o povo quer continuidade e o avanço do governo do presidente Lula", disse Serys.