PF procura estelionatários que aplicavam golpe em empresários de Minas

Agência Brasil

BELO HORIZONTE - A Polícia Federal em Minas Gerais começou hoje a Operação Stellio, com o objetivo de combater uma organização criminosa envolvida com estelionato. Os alvos da quadrilha eram empresários da região metropolitana de Belo Horizonte e de outras cidades do interior do estado.

Ao todo, serão cumpridos sete mandados de busca e apreensão e sete de prisão, todos expedidos pela Vara de Inquéritos Policiais da Justiça Estadual de Belo Horizonte.

De acordo com a PF, os acusados faziam ligações telefônicas para os proprietários de empresas vítimas do esquema. Os membros da quadrilha se apresentavam como presidentes de entidades de classe de funcionários de órgãos públicos e pediam contribuições financeiras em troca de vantagens, como a entrega de recibo em nome da associação que supostamente seria totalmente dedutível do imposto de renda, informou a Polícia Federal.

Documentos eram confeccionados de forma fraudulenta em uma gráfica, tais como recibos, convites, ofícios e cartões de apresentação em nome da suposta associação, contendo endereço, nomes, telefones e até o Brasão da República. Em alguns casos, segundo a nota divulgada pela PF, os acusados faziam "grande pressão psicológica", induzindo o empresário a acreditar que, caso não contribuísse, poderia ser fiscalizado pelo Fisco.

Integrantes do grupo criminoso usavam até mesmo os nomes da Controladoria-Geral da União e das receitas Federal e Estadual, órgãos em que os falsos presidentes das associações de classe diziam trabalhar. A PF informou os nomes utilizados para a prática do crime: Neide de Araújo Mendonça, Armando Thales Amaral, Ronaldo Braga Linhares e William Dantas.

As vítimas faziam pagamentos em dinheiro ou em cheque em valores que variavam entre R$ 1 mil e R$ 7 mil. Durante os três meses de investigação, foi identificada a tentativa de aplicação do golpe em mais de 100 empresas comerciais. A PF calcula que a quadrilha pode ter obtido êxito em 30% dos casos.

Após o início das investigações, foi constatado que os acusados já vinham aplicando os mesmos golpes há mais de quatro anos e que eles se dedicavam de maneira exclusiva e rotineira às fraudes.

O nome da operação Stellio faz referência, em latim, a uma espécie de lagarto que muda de cor para passar despercebido por predadores. A denominação também remete à origem da palavra estelionatário (stellio + onis).