Vítima de ataque cobra provas de inocência de Battisti

Portal Terra

BRASÍLIA - O italiano Alberto Torregiani, vítima de um dos ataques do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), pediu que o ex-ativista Cesare Battisti apresente as provas de sua inocência.

- Continua a dizer que é inocente e que tem as provas: mostre-as, até porque tem os melhores advogados do mundo e amigos bilionários. Não tem dificuldades de pagar as despesas processuais - disse. As informações são da agência Ansa.

Na Itália, Battisti foi condenado à prisão perpétua pela morte de quatro pessoas no período em que militou no grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), na década de 1970. O ex-ativista está detido no Brasil desde de 2007 e recebeu o status de refugiado político no início do ano. Agora, aguarda que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida sobre sua permanência no País.

Filho de Pierluigi Torregiani, Alberto foi atingido por um disparo no ataque à joalheria de sua família em Milão, em 1979. Ele teve parte do corpo paralisado. Seu pai morreu na mesma ação, que é atribuída ao PAC.

- Respeito muito mais quem puxou o gatilho no ataque e ficou em silêncio durante toda a pena. Ele Battisti, ao invés disso, não fez outra coisa além de escapar - disse o italiano.

Torregiani também refutou a hipótese de que sua oposição a Battisti se deva ao fato de temer perder a pensão vitalícia que recebe do governo italiano pelas sequelas sofridas devido à operação do PAC.

- É totalmente falso. A pensão vitalícia é irrevogável, não há nenhum risco de interrupção - afirmou, ressaltando novamente que Battisti "há quatro anos diz que tem as provas da sua inocência, mas não as apresenta".

O italiano confirmou também que já manteve contato com o ex-militante, autor de diversos livros, e que inclusive lhe pediu ajuda.

- É verdade, nos falamos por correspondência e é verdade que também lhe pedi uma ajuda para escrever o meu livro, já que ele escreveu muitos romances - disse.

A vítima da ação do PAC expressou novamente seu desejo de depor no julgamento do STF.

- Falo só por mim, porque as outras vítimas não querem nem mesmo ver Battisti. Eu quero falar aos grandes juízes e expor as minhas razões, para pedir Justiça.

O julgamento de Battisti no STF teve início no dia 9 de setembro. A audiência foi interrompida após sete ministros do Supremo terem votado, quatro a favor e três contra a extradição do ex-militante do PAC.

A sessão foi suspensa após o ministro Marco Aurélio Mello ter pedido vista do processo. A segunda sessão do STF sobre o caso está marcada para o dia 12 deste mês.