Mensalão: Azeredo diz estranhar tratamento diferente a Lula

Portal Terra

BRASÍLIA - O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) afirmou nesta quinta-feira que considera no mínimo 'estranho' o fato de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter proposto ontem uma abertura de investigação contra ele por causa do chamado mensalão mineiro, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sofreu a mesma acusação, não recebeu o mesmo tratamento.

O senador afirmou que tanto ele quanto o presidente Lula foram acusados de envolvimento com o esquema do empresário mineiro Marcos Valério e, no entanto, apenas ele chegou a ser julgado. No caso de Lula, o Ministério Público Federal sequer abriu processo contra ele.

- Eu acho estranho. Estranho. Não vou entrar no mérito da outra questão, mas a situação é muito semelhante. Eu era governador, uma campanha descentralizada, com delegações de poderes, e o presidente Lula também concorreu em situações semelhantes. E ele não recebeu nenhum inquérito a esse respeito - disse.

Azeredo afirmou ainda que o ministro relator do caso no STF, Joaquim Barbosa, que ontem propôs abertura de investigação contra o tucano por crime de peculato, está se baseando em um recibo falso para acusá-lo.

Segundo ele, um recibo no valor R$ 4 milhões - dinheiro que ele teria recebido da empresa SMP&B, de Marcos Valério - que está anexado ao processo conta com uma assinatura falsa de Azeredo.

Ele explica que, na época deste recibo, em meados de 2007, prestou queixa na Polícia Federal e exemplifica como prova da falsidade do documento o fato de estar escrito no papel com grafia errada que era um recibo para "saudar" uma dívida.

- Considero grave que em meio às peças de acusação esteja um recibo de incríveis R$ 4 milhões que teriam sido assinados por mim e que a defesa não se manifestou. A minha defesa não se manifestou porque esse é na verdade um recibo falso que nunca foi assinado por mim. Tem nele um erro grosseiro, diz que os R$ 4 milhões são para 'saudar' compromissos - afirmou.

- Respeito o ministro (Joaquim Barbosa), mas lamento, é inacreditável que ele use este elemento na peça acusatória - disse.

O senador criticou ainda o argumento do ministro do STF de que ele teria sido flagrado em pelo menos 58 telefonemas com o empresário mineiro acusado de ser o operador do mensalão. Segundo ele, as ligações ocorreram dentro do prazo de cinco anos e em apenas duas ocasiões foi ele próprio quem efetuou a chamada para Valério.

Para Azeredo, o fato não pode ser usado como suposta comprovação de que ele e Valério mantinham uma "relação muito próxima".

- Estes 58 telefonemas foram em cinco anos e apenas cerca de 30 e poucos deles se completaram. Apenas dois tiveram o meu retorno. Por favor, se isso é comprovação de relacionamento próximo, não entendo mais o que é relacionamento próximo -disse.