Aquecimento: Céticos dizem que impacto causado pelo homem é pequeno

Marcelo Gigliotti, Jornal do Brasil

RIO - Uma corrente de cientistas tem uma postura bem crítica sobre o impacto provocado pela ação do homem sobre o clima. Para eles, o aquecimento do planeta é um fenômeno natural.

Estamos longe de exercer um controle do clima em escala global. A maioria das previsões sobre aumento de temperatura, por exemplo, se baseia em modelos matemáticos que são na verdade exercícios acadêmicos diz o geólogo brasileiro Geraldo Luís Lino.

Segundo ele, a quantidade de CO² na atmosfera atual é uma das menores na história do planeta.

Na nossa era geológica, o período Quaternário, que já dura 2,5 milhões de anos, houve intensas mudanças climáticas na Terra, que alternou eras glaciais e períodos mais quentes comenta.

Outro brasileiro, o climatologista Luiz Carlos Molion, PhD em meteorologia pela Universidade de Wisconsin, afirma que as atividades humanas despejam 6 bilhões de toneladas de CO² na atmosfera por ano. Mas a natureza, desde os oceanos às florestas, lançam nada menos que 200 bilhões de toneladas de gás carbônico anualmente:

Toda a teoria do aquecimento está baseada nas emissões de CO². Mas existem outros fatores. O próprio Sol tem ciclos de 90 anos, cujo impacto sobre a temperatura da Terra a ciência ainda não conseguiu precisar. E a órbita da Terra é variável, o que pode provocar mudanças no clima do planeta.

Para eles, a desertificação da África segue um ciclo sazonal e o gelo que está derretendo nos polos seria o flutuante e não acarretaria aumento significativo no nível do mar.

Esta corrente de pesquisadores, que tem defensores em vários países, argumenta ainda que a discussão, antes científica, ganhou contornos políticos, especialmente quanto à redução de emissões de carbono e à preservação radical de florestas como a amazônica.

Estes movimentos embutem uma intenção de deter o crescimento dos países do Terceiro Mundo diz Geraldo Luís Lino.

Molion diz que a matriz energética atual é baseada em combustíveis fósseis. Segundo ele, se países emergentes ou em desenvolvimento abrirem mão dela, ficarão sufocados.

O Brasil ainda tem a sorte de ter uma matriz múltipla. Mas deve se cuidar quanto às pressões sobre a Amazônia. Há muitos interesses econômicos sobre a sua biodiversidade e existe o risco de se internacionalizar a região.