Brasil não deve adotar metas de redução das emissões de gases

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Sem conseguir entrar em consenso, o governo pode não detalhar em números as metas de redução de gases poluentes que estão sendo discutidas para serem apresentadas, em dezembro, durante a Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague (Dinamarca). Diante da resistência dos países ricos em mostrar metas mais ousadas para a queda do lançamento de CO2, o governo deve elaborar um documento apenas com as linhas gerais das medidas que devem ser adotadas até 2020, sem traçar metas para si próprio.

O Ministério do Meio Ambiente defende, nas negociações internas do governo, uma meta de redução de 40% das emissões nacionais até 2020, mas enfrenta resistências principalmente do Itamaraty e do Ministério da Ciência e Tecnologia. Terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu por mais de três horas com representantes das áreas ambiental e econômica do governo para avaliar quanto o país está disposto a reduzir das emissões nacionais de gases de efeito estufa, mas os integrantes do do governo não chegaram a um entendimento no encontro. O presidente deu um prazo até o próximo dia 14 para que os ministros tentem fechar uma proposta.

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, deu o tom da nova postura do governo e disse que estabelecer um número de redução das emissões não é o principal objetivo.

O Brasil vai colocar para si os objetivos. Nós vamos tomar medidas em várias outras áreas além da redução do desmatamento da Amazônia. Em nenhum dos casos nós vamos ter condições de quantificar todas as características, se vai ter ou não financiamento, algum recurso de algum fundo. O que dá para perceber é que uma parte exige poucos recursos externos, outras partes mais. Então não aguarde para o dia 14 um nível de detalhamento numérico porque nós não temos esse objetivo. Com a soma de esforços vamos chegar a um número significativo. O Brasil está disposto ao maior esforço possível para que a reunião de Copenhague seja bem sucedida explicou a ministra. Serão linhas gerais. Não vamos apresentar os números, vamos apresentar as medidas. Até porque estamos fazendo de forma voluntária, porque achamos que é importante que o Brasil preserve suas características de país sustentável.

No governo, há consenso sobre a redução do desmatamento da Amazônia em 80% até 2020, medida que sozinha já pode levar a uma redução de 20%, ou 580 milhões de toneladas de CO2, das emissões. Agora, o governo estuda como ampliar esse percentual. Algumas das medidas envolverão contrapartidas dos setores de agropecuária, siderurgia, energia e transporte, além de proteção a outros biomas, como Cerrado.

Dilma mencionou, por exemplo, a pretensão do governo de conceder um incentivo fiscal ou financeiro para que as empresas siderúrgicas troquem o uso do carvão mineral por carvão vegetal sustentável. As arvores utilizadas na produção seriam plantadas e não mais retiradas de mata nativas.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc chegou a anunciar que a medida criaria o aço verde . Nas contas do ministro, metade do carvão vegetal usado hoje nas siderúrgicas vem de mata nativa.

O objetivo é que a siderurgia venha plantar todas as árvores que necessitar afirmou. Segundo Minc, a agropecuária, por sua vez, poderá contribuir bastante para redução de emissões de CO2 e fará isso com ganhos de produtividade. Eu destacaria o esforço significativo que a agricultura brasileira pode fazer, representando um ganho de produtividade. Isso significa manejo, a agricultura e pecuária integrada, plantio direto, recuperação de áreas degradadas da agricultura.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, procurou minimizar a falta de uma meta clara de redução das emissões. No plano internacional, o governo brasileiro reclama do pequeno esforço que os países desenvolvidos estão fazendo para redução das suas emissões de CO2 e na disponibilização de recursos para combater os efeitos das mudanças climáticas.

O nosso corte na Amazônia representa mais de um quinto de todos os países e um pouco maior do que a dos americanos na melhor das hipóteses ponderou. (Com agências)