Relatos de violência em presídio de SC mobilizam autoridades

Portal Terra

FLORIANÓPOLIS - Vídeos que mostram agressões a presos em Santa Catarina mobilizam autoridades policiais e do Poder Judiciário do Estado. Segundo o Diário Catarinense, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em Santa Catarina considerou "doentias" as ações, que mostram presos sendo espancados por policiais sem reação.

Uma reportagem mostrada pela RBS TV local evidencia situações das quais os detentos que estão presos no Complexo São Pedro de Alcântara e no Presídio de Tijucas, na Grande Florianópolis, são submetidos a espancamentos por parte de policiais que trabalham no local. A reportagem mostra uma operação de transferência ocorrida em fevereiro de 2008, comandada pelo Departamento de Administração Prisional (Deap) na qual os condenados apanham algemados dentro de um banheiro, têm a cabeça mergulhada em um vaso sanitário e seguem apanhando mesmo aparentando desmaios. Durante o vídeo, os policiais afirmam que fazem aquilo para "dar uma lição" aos detentos.

Também teriam ocorrido agressões em série no presídio de Tijucas, onde um laudo médico encaminhado à Justiça mostrou agressões corporais em 143 dos 350 presos examinados. A situação de violência teria ocorrido no chamado "corredor polonês", situação que obriga os presos a passar pelo meio de policiais para serem espancados. Depoimentos de presos à reportagem confirmam as agressões.

A delegacia de Tijucas abriu inquérito para investigar as acusações. A delegada Luana Backes disse ao jornal que as ações mostram que os policiais serão investigados por crime de tortura. O secretário executivo da Justiça e Cidadania de Santa Catarina, Justiniano Pedroso, disse ao jornal que vai querer saber "as razões e motivos" da violência policial.

Em entrevista para o jornal, o diretor do Deap, Hudson Queiroz, confirma que participou das ações de transferência, mas afirma não saber das ações de tortura. Em relação à operação em Tijucas, Queiroz admitiu ao jornal as agressões e justificou, afirmando que houve confronto e os presos teriam a intenção de fazer um agente como refém, ameaçando com armas artesanais.

O juiz-corregedor do presídio, Pedro Walicoski Carvalho, disse ao jornal que isso não justifica as ações. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em Santa Catarina (OAB-SC), Dórian Ribas Marinho., afirmou que as ações de violência são "inclassificáveis" e "injustificáveis sob todos os aspectos". O presidente ainda disse que a ação mostra falta de "respeito à dignidade humana".