Lula defende salários e condena chamar servidores de 'marajas'

Portal Terra

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa dos salários pagos a altos servidores do funcionalismo público e disse que acusações como a do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que se propunha a ser o "caçador de marajás", não passam de "discurso fácil" em época de campanha política.

- Hoje, a autoestima tem uma prevalência sobre o pessimismo, que durante tanto tempo se fez prevalecer na máquina pública. Lembro o quanto a máquina pública foi ofendida. Percebia que (dizer que) todo mundo era marajá, que ganhava muito dinheiro (era utilizar) o salário do setor público para jogá-los contra a sociedade brasileira - afirmou Lula.

- Precisou eu chegar à presidência da República para perceber que havia o engano do discurso fácil na época de campanha política - completou.

Ao participar da posse do novo advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, o presidente observou que os salários pagos atualmente a um advogado público são diversas vezes menor do que esse mesmo profissional receberia na iniciativa privada. O caso é semelhante, disse Lula, ao de outros funcionários, como auditores fiscais da Receita Federal.

- O funcionalismo público era mal remunerado e o salário não condizia com a capacidade das pessoas. Acham que um homem da Receita (Federal) ganha muito dinheiro e não se dão conta de quanto o trabalho deles faz que o Estado brasileiro deixe de perder para os sonegadores. (As pessoas) acreditam que a máquina pública é composta por pessoas altamente remuneradas, (mas) elas ganhariam cinco vezes mais (na iniciativa privada), fora o tal do bônus que se paga - argumentou.

- Aqui se paga (o salário) sem bônus e muitas vezes por amor a uma causa que as pessoas acreditam. Conheço muita gente que saiu do governo e foi ganhar cinco, seis ou sete vezes mais que no governo, sem a preocupação de o Ministério Público indiciá-lo ou (da acusação de que) há indícios graves de corrupção naquela decisão - disse.