Só confissão seria fato novo no caso de ex-promotor, diz MP

Hermano Freitas, Portal Terra

SÃO PAULO - A promotora Valderez Abud afirmou, em entrevista na sede do Ministério Público em São Paulo nesta terça-feira, que apenas uma confissão seria um fato novo no processo por homicídio do ex-promotor público Igor Ferreira da Silva. Ele foi condenado por matar a mulher, Patrícia Aggio Longo, que estava grávida de sete meses. O crime aconteceu em 1998 em Atibaia, no interior do Estado. O ex-promotor sempre negou a autoria.

Patrícia foi encontrada morta com dois tiros na cabeça. Em sua defesa, o réu sempre afirmou que a mulher foi assassinada por assaltantes, que nunca foram localizados. Na época do julgamento, um teste de DNA mostrou que o bebê que a vítima esperava não era do ex-promotor. Ele foi localizado ontem após passar mais de oito anos foragido.

Segundo a promotora, apesar de o réu ser integrante do Ministério Público, ele foi julgado sem corporativismo. De acordo com a ela, se não tivesse permanecido foragido, Igor Ferreira poderia estar em regime semiaberto. Ele deve ficar cinco anos e meio em regime fechado e, partir daí, sua pena pode ser progredida.

Ela disse que sempre houve o temor de que o crime prescrevesse antes que Igor Ferreira fosse encontrado pela polícia.

- A prescrição se daria em 2021, mas tínhamos a certeza que a polícia executaria o mandado de prisão.

Em 2001, o Órgão Especial do Tribunal de São Paulo o condenou a 21 anos e três meses de prisão em regime fechado pela morte da mulher, por ter causado o aborto do bebê e por porte ilegal de arma. Devido à prescrição do crime de aborto não consentido, ele ainda deve cumprir mais 18 anos, segundo o MP.

Sobre a sensação de julgar um colega, ela afirma que o processo foi muito doloroso.

- Dói cortar a própria carne - disse.

Em junho de 2006, o mesmo órgão que o julgou decretou a perda do cargo de Igor Ferreira na Promotoria e a suspensão de seu salário.