DEM ameaça expor na internet quem retirar nomes de CPI do MST

Portal Terra

BRASÍLIA - Lideranças do DEM afirmaram nesta terça-feira que a legenda não tem qualquer tipo de receio em relação ao movimento que a base aliada deverá fazer para tentar retirar assinaturas do requerimento da CPI mista do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que será protocolado no Senado pela segunda vez nesta tarde. De acordo com o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), como o partido vai expor na internet o nome de cada parlamentar que retirar sua assinatura, avalia-se que nenhum deles vai querer se expor, principalmente em ano pré-eleitoral.

- Acreditamos que, na hora, os deputados vão começar a fazer contas entre quanto vale uma emenda ou um cargo que o governo venha a oferecer em troca da retirada, ou o desgaste que terão que enfrentar em suas bases - disse.

- O governo pode oferecer emenda e cargos, mas isso não garante eleição - afirmou.

Segundo ele, na primeira vez em que o governo conseguiu retirar as assinaturas, foram 42 desistências em cerca de dez dias. Ele afirmou que em troca da retirada, o governo ofereceu cargos e emendas. - Na primeira fase de retirada o governo ofereceu emenda e cargo a rodo - disse.

Agora, ele acredita que isso não vá acontecer, primeiro pelo curto espaço de tempo (a base tem até a meia-noite de quarta-feira), segundo porque ele afirma ter colhido assinaturas de pessoas comprometidas com o setor.

- O deputado que retirar assinatura não vai só pra internet, vai aparecer em rádio, em TV, em tudo que é lugar - disse.

O DEM afirma ter conseguido reunir 190 assinaturas de deputados (são necessárias 171) e 34 assinaturas de senadores (27 necessárias). Desta forma, a base terá que retirar em tempo recorde sete assinaturas de senadores e 19 assinaturas de deputados.

A CPI mista do MST pretende investigar repasses de recursos públicos ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Essa será a segunda vez que a oposição tenta criar uma comissão para investigar o financiamento público a organizações não-governamentais.

Da primeira vez, houve retirada de assinaturas no último dia de prazo e, por falta de três nomes, o requerimento foi arquivado. Nesta segunda tentativa, parlamentares favoráveis à criação ressaltavam que o requerimento só seria apresentado, de fato, quando houvesse a garantia absoluta de que nenhuma assinatura seria retirada.